Os chineses da minha rua

Na minha rua há três lojas chinesas. Estão sempre abertas. Já sabia, desde que fui a Macau e à China, que os chineses estão sempre lá, parece que nunca dormem.

Os chineses da minha rua, donos ou seja lá o que forem dessas lojas, são gente nova, primeiro, eram só os casais, agora já há crianças, vejo-as à porta, nos carrinhos de bebé, quando o tempo o permite, ou lá dentro, à entrada, quando está mais fresco. Vendem de tudo um pouco, mal falam português, riem e abanam a cabeça quando lhes pergunto algo e nem  chego a saber se percebem o que lhes digo .

Não tenho o hábito de entrar nas lojas chinesas da minha rua a não ser quando nalgum domingo ou feriado preciso de algo que não comprei na “grande superfície” que  habitualmente frequento.

 Também não tenho o hábito de seguir as indicações de algumas revistas de “sociedade” que aconselham a misturar uma peça de roupa comprada nos chineses com outra de “marca”, tipo, uma túnica chinesa com uma mala Carolina Herrera ou um lenço Gucci, como, segundo  essas revistas, fazem as “vedetas” do nosso jet seis (perdão, jet sete). Dizem elas, que usadas em conjunto por gente “bem” essas peças passam todas por “peças de luxo”.

Também há  muito que não frequento restaurantes chineses, sobretudo desde que a ASAE resolveu fazer umas rusgas a esses restaurantes por todo o País com as câmaras de televisão atrás, a que pomposamente chamou “Operação Oriente”  (ler aqui os pormenores ?attachment_id=1208), e nos mostrou os congelados a escorrerem água, as moscas e as baratas a andarem pelas cozinhas, etc., (semelhantes às que também há, ou havia, nos restaurantes de outras nacionalidades mas que não vimos nas televisões). Muitos desses restaurantes fecharam mas os chineses sobrevivem sempre, não são como nós, que nos deixamos abater antes mesmo de nos fecharem a “loja”. 

Mas agora a minha vida vai mudar. Vou olhar para os chineses de outra maneira: comprar os seus produtos sem precisar  de os misturar com marcas espanholas, francesas, italianas, etc. como faz o jet sete. Porque, ao fim e ao cabo, não posso ser ingrata. Tenho de ficar agradecida a quem compra a nossa dívida.

Agora, até tenho orgulho em  comprar nas lojas dos meus “vizinhos” chineses!

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