Esta noite, na SIC Notícias, Medina Carreira conseguiu ser quase “construtivo”.
Convidado por Mário Crespo a comentar a greve geral, era de recear o pior. Enganei-me. O ex-ministro das Finanças de Mário Soares (quem diria?) dissertou sobre as virtudes de uma greve geral “nas condições em que o País se encontra”. A greve é “útil” e “boa” (a ideia era mais ou menos esta) porque permite canalizar a revolta “dos portugueses” de uma maneira organizada e não descontrolada. Mas, continuou o fiscalista, “como não há dinheiro a greve não serve para nada”.
Logo depois, no mesmo canal, outros retomavam a ideia das virtualidades de uma greve geral como forma “orgânica” de protesto (se a ideia pega ainda o Governo vai ter que de vez em quando organizar uma greve “para acalmar o povo”).
Mas Medina Carreira não queria só uma greve, queria o “povo” na rua a manifestar-se para se “ver” bem a revolta. E quanto aos números da greve - 3 milhões? (perguntava Crespo, citando os líderes sindicais). Eram mais, rematou o fiscalista, para aí uns 5 milhões, dado que “toda a gente” vai ser afectada! E aos que “andam a dizer” que é preciso aumentar salários, Medina disse que se “esses” chegassem “lá” (ao poder) “a seguir, tinham que fugir”.
Depois, a SIC Notícias deu-nos a ver e ouvir o Presidente da CIP e este disse que no sector privado em cada 100 trabalhadores, 98 trabalharam.
Decididamente, é difícil contar grevistas. Mas certos comentadores quando não conseguem exasperar as pessoas, conseguem às vezes diverti-las. Medina Carreira tem esse “condão”.
