Uma imagem vale mais que mil palavras

O DN publicou ontem estas duas fotografias relativas ao encontro entre o Primeiro Ministro e o líder do PSD, que antecedeu a cimeira europeia de chefes de Estado e de Governo: a primeira surgiu na edição online; a segunda na edição impressa.

Na foto da edição impressa (em baixo) José Sócrates praticamente desapareceu e Passos Coelho e Miguel Relvas surgem em primeiro plano.

A questão interessante a colocar  é saber o que terá levado o DN a escolher a segunda fotografia para a sua edição impressa em vez da primeira: seria o desejo de “apagar” Sócrates do “boneco” por algum motivo de ordem política? Ou, pelo contrário, a imagem do PM não teria sido captada em condições técnicas adequadas? Ou seria porque o “ar” do PM não é muito “prazenteiro”? Ou haverá outra razão?

Um olhar mais atento sugere, porém, que o fotógrafo do DN fez, em termos informativos, uma opção acertada. De facto, a primeira fotografia, apesar de “mais próxima do acontecimento”, na medida em que inclui o anfitrião do encontro, tem menos informação que a segunda. Vemos nela  Sócrates a falar, sem olhar os seus interlocutores, e estes olhando-o em silêncio. Não há nesta fotografia  informação  relevante.

Ao contrário, na fotografia da edição impressa, o olhar de Passos Coelho e o de Miguel Relvas são eles próprios um conteúdo. São olhares de soslaio que traduzem desconfiança, expectativa, distanciamento… É como se estivessem ali apenas a cumprir um dever, mas sem compromisso. O fotógrafo percebeu isso, apertou o plano e salientou na legenda a reduzida duração do encontro – “menos de meia hora”.

Recuperando o advérbio popular é caso para dizer: “uma imagem vale mais que mil palavras”

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Jornalismo. ligação permanente.

7 respostas a Uma imagem vale mais que mil palavras

  1. Caro Miguel
    Sei bem as dificuldades com que as redacções se debatem hoje em dia com o aperto financeiro em que vivem, redução de pessoal, concorrência cada vez mais “feroz”, etc. Mas repito que não vi aquela fotografia como erro técnico porque podia bem ter sido uma opção pelos motivos que escevi, isto é, privilegiar o “grande plano” das expressões dos convidados do PM. A minha convicção não é assim tão estranha, até porque na edição do dia 15, o DN opta por mostrar apenas os líderes dos partidos e instituições que foram a São Bento reunir também com o PM sobre o Conselho Europeu. Essas fotografias mostram também os rostos desses líderes em grande plano (com o PM igualmente quase fora do plano) mas não têm a mesma leitura política daquela que a que eu referi, simplesmente porque o “valor notícia” dos protagonistas (o que eles dizem e não dizem mas se adivinha através dos olhares) é diferente, sendo muito maior na fotografia do líder do PSD e do seu n.º 2. As perguntas que formulei são hipotéticas mas o Miguel sabe bem que há certas imagens que aparecem nos jornais (não me refiro agora ao DN) e nas televisões que resultam de opções não exclusivamente técnicas ou jornalísticas.
    E sobre o título, como sabe, é apenas um provérbio que achei adequado à situação, porque a fotografia vista de perto não necessita de palavras.

  2. Não percebo eu, cara Estrela, a ideia de estar a desejar uma qualquer censura à possibilidade de interpretação. Mas fica mal vir dizer agora que o post não tem “qualquer segunda intenção que não seja puramente analítica” – o título do post, não é inocente; as perguntas formuladas, nomeadamente a primeira, são claramente políticas.
    O DN nas duas edições optou pela mesma foto: basta uma observação mais analítica, de facto, para o perceber – da edição impressa percebe tratar-se de um “close up” tecnicamente errado, digamos assim [a edição online, no caso dos textos publicados na edição impressa, replica esses conteúdos - do texto à fotografia]. E não há leitura jornalística que nos valha, quando o corpo de uma personagem central da foto é grosseiramente truncada: erro técnico, pois, no enquadramento da imagem, que (como já referi) não foi detectado.
    E porventura a sua análise seria muito mais técnica, mas certeira, se apontasse o erro e questionasse a incapacidade de todos os jornais hoje garantirem edições livres de gralhas, erros ou problemas destes com equipas de fecho e de edição mais completas, alargadas e capazes. O encolhimento das redacções, sabe-o bem, começou há muito por aqui – infelizmente, para a qualidade final do produto “jornal”.
    Insisto: a minha agitação é nula. Mas como certamente não gosta de ver o seu trabalho estupidamente catalogado por críticos como Eduardo Cintra Torres (cuja miopia político-partidária impede qualquer análise de comunicação social serena e objectiva), também a mim me causa engulhos ver questionado um trabalho sério e exigente por alguém com responsabilidades com a pergunta “seria o desejo de “apagar” Sócrates do “boneco” por algum motivo de ordem política?”, que imediatamente levantou a lebre anónima contra “cães de fila”.

  3. Miguel Marujo, não percebo a sua reacção, nem o meu post tem qualquer segunda intenção que não seja puramente analítica. Ao que diz, foi “erro técnico”, mas pergunto se não podia o DN, conscientemente, ter optado por essa fotografia ou por qualquer outra do mesmo encontro? É ou não verdade que é na segunda fotografia que melhor se observam as expressões dos dois membros do PSD presentes na reunião e que esse é um elemento com valor jornalístico? Porquê, então tanta agitação? Não concede a outros o direito de interpretaram o que eu escrevi e a mim, como cidadã, o conteúdo do seu jornal?

  4. chefe de turma, anónimo, e com esse linguarajar é todo um programa corporativo…

  5. chefe de turma diz:

    Chamar a isto um erro tecnico,é o mesmo que chamar à pilinha do célebre Joãozinho,um assobio… Lamento ter lido a sua desculpa… que na minha opinião é mais miserável, do que a foto publicada…

  6. Zé da Minda diz:

    Este fo tó gra fo, é um “cão de fila”, que quer agradar ao seu dono… Se isto é assim na oposição,estou a imaginar o futuro no poder, será aterrador…O triunfo dos porcos,estará ultrapassado, por moderado…

  7. Lamenta-se que, pelos vistos, Estrela Serrano ignore as etapas de feitura de um jornal, onde jornalistas e fotógrafos não intervêm, que a leve a este post insidioso – note-se nas perguntas: «algum motivo de ordem política? Ou, pelo contrário, a imagem do PM não teria sido captada em condições técnicas adequadas? Ou seria porque o “ar” do PM não é muito “prazenteiro”? Ou haverá outra razão?» – que logo é aproveitado para atacar a suposta “secção laranja” do DN pelos corporativos que misturam tudo. Declaração de interesses: sou jornalista do DN, da secção de Política, e lamento não ter visto este simples erro técnico antes da página ser enviada para a gráfica, o que teria evitado a exposição ao ridículo da senhora reguladora.

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