A última vez em que o tema da pobreza opôs o Presidente da República ao Primeiro-Ministro foi em 1993. Mário Soares era Presidente da República e elegeu a pobreza, a 3ª. idade e a solidariedade como temas da sua presidência-aberta na Área Metropolitana de Lisboa. Cavaco Silva era Primeiro-Ministro e não apreciou a escolha temática do Presidente, tanto mais que o discurso do seu governo apresentava Portugal como um “oásis”.
Eis alguns relatos contidos em textos desse tempo:
“A Presidência Aberta na Área Metropolitana de Lisboa foi um momento de confronto entre a perspectiva de um Portugal visto como um “oásis” e a de um Portugal de barracas, de deficiências de todo o tipo, de desordem urbanística, de marginalidade, de pobreza estreme e dos ghetos sociais” (in Soares, M. (1994), Intervenções, Imprensa Nacional Casa da Moeda).
“O Governo repentinamente assustou-se, pôs-se de fora, recusando-se a participar. Essa circunstância suscitou, como é óbvio, reacções e críticas de diversos sectores“(in Avillez, M.(1997), Soares, O Presidente, Público)
Passaram entretanto dezassete anos, os papéis inverteram-se, Cavaco Silva é agora Presidente-candidato e nessas duas qualidades disse há dias:
É agora a vez (e o direito) do actual Primeiro-Ministro não apreciar a análise do Presidente e vir dizer de sua justiça:


