Os libertófilos

Nos média, ou em seu redor (os média atraem como a luz atrai as borboletas de noite), gravita uma raça estranha, mais numerosa do que se pensa.

Têm um traço identitário próprio, com que podem ser apercebidos à distância. São muito “livres”, amantes da liberdade absoluta, e amantes absolutos da liberdade. Incluindo a liberdade de expressão, naturalmente.

São os libertófilos.

Para sermos mais justos, eles não amam, gostam da liberdade; e tão só flirtam com ela.

Amar, mas amar mesmo, com todas as suas forças, só mesmo a liberdade de expressão. Amam-na aliás tão compulsiva e desesperadamente que a consideram sua. Por isso, com mais precisão, amam a sua liberdade de expressão, e gostam bastante menos da dos outros. A liberdade de expressão é deles.

Mas, quem são os outros? Esses, só os podemos classificar pela negativa: são os não-libertófilos, uma gentinha bastante informe e bastante feia, a que antes se chamava, em tempos idos, os cidadãos. Uma gangada, a que infelizmente pertenço.

Os cidadãos, à beira dos libertófilos, fazem fraca figura. Por definição.

Os libertófilos, esses, como andam pelo meio dos meios e em torno do meio dos meios, sabem mais, vêem mais claro e muito mais longe, e também por isso, como é de bom e obrigatório tom, estão acima dos não-libertófilos. Têm como missão sagrada de civilização ajudar-nos a interiorizar que (e de uma vez por todas) haveremos de venerar a sua liberdade de expressão sem limites.

E que devemos também meter de uma vez por todas na cabeça que, por razões evidentes – e porque temos tanto que aprender com os libertófilos – a sua liberdade de expressão é divina, está acima de todas as coisas. Logo, de nós.

Cidadão a ser iluminado pelo halo de um libertófilo

Superiormente dotados, os libertófilos nunca torturaram os neurónios, evitam pensar, porque detestam a simples ideia de pensar. Não detestam: Abominam a coisa.Mas também, não precisam. São excepcionais, únicos. Merecem descansar, já basta terem que nos aturar.

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