As mudanças nas televisões generalistas portuguesas colocam desafios interessantes.
A TVI é, talvez, aquela em que as mudanças se farão sentir de maneira mais difícil, como se começa já a notar. Não é porém seguro que elas se orientem no sentido apontado pelo “novo” accionista Miguel Paes do Amaral na Comissão Parlamentar de Inquérito, cujas declarações se recordam aqui e aqui.
É, aliás, possível antever desde já algumas das dificuldades que a nova direcção de informação da TVI vai enfrentar:
Em primeiro lugar, a “cultura” da redacção da TVI criada por Moniz e secundada por Manuela Moura Guedes – caracterizada por uma direcção centralista e dominadora - deu origem a clivagens internas que se mantiveram na sombra enquanto durou o domínio de ambos mas que explodiram na altura da sua saída daquela estação.
A nomeação de Júlio Magalhães e da sua equipa para a direcção de informação não ultrapassou completamente essas clivagens que novamente afloraram recentemente em declarações públicas de Alexandra Borges e Paula Magalhães (links indisponíveis), a primeira membro da equipa de Moura Guedes com grande destaque na cobertura do “caso Freeport” e a segunda distinguindo-se na contestação a esta última na altura da suspensão do “Jornal Nacional de Sexta”, em Setembro de 2009.
Os esforços da equipa de Júlio Magalhães para pacificar a redacção só aparentemente calaram as divisões na redacção da TVI.
Entretanto, alguns dos jornalistas que conseguiram (aparentemente) passar ao lado das disputas entre grupos internos, como Pedro Pinto, Constança Cunha e Sá, Paulo Magalhães, ou Henrique Garcia, consolidaram posições como apresentadores e moderadores de debates, com “direitos” adquiridos na condução de programas e na hierarquia da redacção. O mesmo se passa com os comentadores “residentes” a quem a TVI deu visibilidade e espaço para intervenção política e projecção de agendas pessoais - Santana Lopes, Manuel Maria Carrilho, Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa, Pina Moura, Braga de Macedo…
Por outro lado, a “cultura” jornalística da TVI, herdada de Moniz e Moura Guedes – uma informação que oscila entre, por um lado, o tabloidismo e o fait-divers e, por outro, a procura do escândalo político, aqui e ali mostrando que também é capaz de um olhar “sério” sobre a política e a “coisa pública” - conferiram à TVI uma marca de menor credibilidade face à informação das suas congéneres RTP e SIC.
Ora, é este “caldo de cultura” que José Alberto Carvalho e Judite de Sousa vão encontrar e no qual vão ter de se movimentar. Veremos se serão eles a mudar a TVI ou se será a TVI a mudá-los a eles….
(continua)
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