Confesso que acho piada ao arquitecto Saraiva, director do Sol. Há uns anos, entrevistei-o para o Clube dos Jornalistas, programa da RTP2 (na altura), quando ele se preparava para sair do Expresso e fundar o Sol com a promessa de em pouco tempo “destronar” o Expresso sem necessitar de distribuir brindes com o jornal.
Apesar da simpatia, a verdade é que nunca o encarei como um jornalista profissional, coisa que aliás ele também não reclama. É sobretudo um arquitecto de primeiras páginas, como ele próprio se auto-define num dos seus livros em que conta as estórias das suas relações com os políticos. Saraiva é sobretudo um “visionário” e, como tal, efabula frequentemente imaginando-se, entre outras coisas, alvo de perseguições.
Vem isto a propósito de o arquitecto vir dizer aos jornais que “suspeita ser vítima da ERC por questões políticas” e que a ERC lhe levanta “processos absurdos”, exemplificando com o facto de ter sido notificado para se pronunciar sobre a publicação, na edição do Sol desta sexta-feira, da fotografia do cadáver de Rosalina Ribeiro, assassinada no Brasil, na sequência da abertura de um procedimento que é habitual nos casos em que existam situações que podem contender com direitos fundamentais e com o respeito pela dignidade da pessoa humana.
Nas suas declarações ao Correio da Manhã, o arquitecto chama também à colação o facto de, na sequência de queixas contra um recente artigo de opinião, de sua autoria, contra o casamento gay, a ERC o ter notificado para que se pronunciasse, sem perceber que é obrigação do órgão regulador ouvir os responsáveis dos meios de comunicação social que são objecto de queixas ou participações.
Para provar a “perseguição” de que se diz alvo, o arquitecto disse também que a ERC arquivou o processo aberto em 2010 na sequência das suas declarações de que “o BCP tentou asfixiar o Sol”, sem dizer (não acredito que não tenha percebido) que depois de ouvir administradores do Sol e do BCP, e os fundadores e directores do jornal, entre os quais o próprio arquitecto, todos negaram, aliás, com provas documentais, as alegações de “asfixia” que o arquitecto imputava a perseguição política.
Eis o essencial da notícia do Correio da Manhã com as declarações do arquitecto:
Mas o ”nosso” arquitecto esqueceu-se de citar um outro caso de “perseguição” (movida pela ERC) a propósito da publicação das fotos do cadáver do militar timorense, Alfredo Reinado, estendido no chão, captada nos momentos imediatamente seguintes à sua morte, ainda fardado, com a face completamente coberta de sangue.
É claro que gostos não se discutem e se o arquitecto gosta de fotografias de cadáveres porque “surpreendem, emocionam e fazem pensar” e por isso são boas para primeira página (como também disse ao Correio da Manhã) é lá com ele. O problema é que ser jornalista, sobretudo dirigir um jornal exige um pouco mais do que escolher imagens que “surpreendam, emocionem e façam pensar”.
Sobretudo exige-se ao director de um jornal consciência de que a liberdade de imprensa, sendo um direito fundamental, está sujeita a limites, entre os quais a dignidade da pessoa humana e o direito à imagem.

Saraiva,deve sofrer de esquizofrenia. Vê vultos em todo lado.No seu livro até V.Constancio a jogar xadrez, o perseguiu.
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Muito bem.