Parece estar a firmar-se entre nós uma nova forma de jornalismo: o “jornalismo auxiliar da polícia e dos tribunais”.
Hoje tivemos um exemplo: o Correio da Manhã antecipou “como ficaria Duarte Lima disfarçado”. A polícia só não agradece porque entretanto já o deteve para interrogatório.
Temos tido outros exemplos de um tipo de “auxílio” mais subtil e por isso mais eficaz praticado, aliás, pelo mesmo jornal noutros casos da actualidade. Por exemplo, no processo Face Oculta, “sugere-se” a associação de José Sócrates (que não é arguido nem testemunha no processo) a certos arguidos, (não vá o tribunal de Aveiro andar distraído) através da sua fotografia e de títulos “contaminadores” na capa e no interior do jornal.
Eis apenas alguns exemplos:
“Vara e Sócrates falavam por telefone secreto”
“Investigação a Sócrates reaberta“
- Correio da Manhã, 7 Novembro, 2011
“Sócrates envolvido em cunha de Godinho“
“Sócrates falado no primeiro dia de julgamento”
A justiça não se pode, pois, queixar do jornalismo. Mesmo quando não consegue provar nada, há jornais que tentam fazê-lo por si. Agora até se antecipam fotografias de suspeitos com disfarces.



