José Manuel Fernandes (JMF), um dos membros do Grupo de Trabalho (GT) nomeado pelo governo para estudar o conceito de serviço público, escreveu esta sexta-feira, na sua coluna semanal do Público, um artigo intitulado “O império do politicamente correcto e dos interesses instalados”, reproduzido aqui, em que comenta as reacções ao documento produzido pelo GT. A dado passo, escreve:
“(…) Apesar do excesso de algumas reacções – desde a investida contra a liberdade de expressão protagonizada pelo Sindicato dos Jornalistas, (…) até à diatribe de uma ex-membro da ERC, que afirmou publicamente que a investigação académica provou que os governos já não são capazes de manipular a informação –, no geral têm um traço comum: “serviço público” é aquilo que a RTP faz, fez ou fará, ponto final.(…).
Dado que sou a única “ex-membro da ERC” e me pronunciei na Antena 1 (embora não exactamente nos termos citados por JMF) sobre o documento, considero dever clarificar os fundamentos que me levam a contestar a visão contida no documento de que a informação da RTP, por esta ser uma empresa pública, é forçosamente uma informação manipulada pelos governos.
Eis, em síntese, os fundamentos principais da minha posição:
As pesquisas comparadas realizados nos EUA e na Europa (incluindo Portugal) sobre conteúdos informativos de televisões privadas e televisões públicas são inconclusivas quanto a diferenças que possam ser atribuídas a diferentes modelos de propriedade, mostrando que é difícil ligar modelos de propriedade a modelos de selecção e produção de notícias.
As abordagens explicativas da produção das notícias são principalmente as seguintes:
1. O “modelo de propaganda”, baseado na premissa de que as notícias servem o poder estabelecido – implícito no documento do GT sobre o serviço público - está há muito ultrapassado. Os trabalhos de Michael Schudson (EUA) mostram que a capacidade dos governos e dos proprietários dos média para manipular a informação é limitada. Daí que outros níveis de abordagem sobre a produção de notícias tenham emergido no final dos anos 60.
2. A “perspectiva organizacional” enfatiza a influência dos constrangimentos organizacionais, económicos e técnicos, na produção de notícias. A grande maioria dos estudos desta corrente assume, por um lado, que a criação de notícias, a nível nacional ou local, assenta, fundamentalmente, na ligação entre o repórter e as fontes oficiais e governamentais. Por outro, evidencia a influência das “convicções profissionais”, dos “códigos pessoais” e da cultura profissional dos próprios jornalistas, que os leva a escolher os ângulos de abordagem, as fontes a entrevistar, etc., aspectos não contemplados na abordagem do controle governamental das notícias.
3. A perspectiva “cultural” ( Hoggart) defende que o filtro mais importante através do qual as notícias são construídas é o “ar cultural” e a “atmosfera ideológica” da sociedade que influenciam o que ”pode ser dito e o que é melhor não ser dito”. Trata-se de convicções (não noticiadas) que operam a um nível mais remoto que a ideologia, através das quais as notícias são seleccionadas e enquadradas.
4. Um novo paradigma (atribuído sobretudo a McNair) defende que nas sociedades contemporâneas marcadas por fenómenos de globalização e de grande desenvolvimento tecnológico, a produção de notícias complexizou-se extraordináriamente, pelo que qualquer das três abordagens anteriores é insuficiente, por si só, para responder a tudo o que há para saber sobre as notícias. As notícias são, hoje, mais informais, mais críticas, mais cépticas e mais distanciadas do que anteriormente. O estilo formal face aos políticos tornou-se crítico e agressivo.
Em suma:
As abordagens do jornalismo baseadas no paradigma do “controle” dos media pelos governos ou por grupos dominantes perderam valor. Trata-se de uma visão passadista sobre o jornalismo e as notícias. A informação é, hoje, dominada pela imprevisibilidade, não sendo controlada por governos ou elites, políticas ou outras.
“Diatribe” não foi, pois, o que eu disse na Antena 1 mas sim o que JMF e os seus pares escreveram sobre a informação do serviço público.
Agradeço em nome dos espectadores e do povo português os comentários e o excelente artigo da Srª D. Estrela Serrano, já expressei por diversas vezes o repúdio pelas conclusões do dito relatório e das razões que levaram a que fosse “encomendado”, penso que a maioria das pessoas vai perceber que anda a ser manietada por interesses obscuros, alguém no seu perfeito juízo não compreenderá que até o tentarem retirar a publicidade, só serviria os operadores privados, dado que seria impossível à RTP continuar a operar com o corte brutal de verbas que isso acarretaria? E o tal grupo de trabalho foi formado por pessoas sem interesses nos grupos económicos que estão ligados às televisões privadas? Tal como costumo citar ” Sob a nudez crua da verdade, o manto diáfano da fantasia” . Meu pobre Portugal em que mãos andas entregue?
Excelente (o poste…), cá para mim.
A pergunta de princípio que deveria ter sido feita imediatamente quando foi constituído esse tal Grupo de Trabalho era a de saber qual era a competência em matéria de jornalismo audiovisual, de história dos média na Europa, de socio-economia dos média na Europa ou de direito dos média na Europa (porque Portugal faz geográfica e culturalmente parte da Europa e não da América como parece que pensam os membros do dito grupo…) de pessoas como João Duque, Manuel Villaverde Cabral ou José Manuel Fernandes, entre outros ? E a resposta só poderia ter sido : uma competência mais ou menos igual a zero !
A segunda pergunta teria sido de saber como é que tanta gente incompetente teve o desplante, “a lata”, de deixar que o seu nome fosse indicado para integrar tal Grupo de Trabalho e, pior do que isso e cúmulo absoluto do desplante, ser designado como coordenador de tal grupo ? Vaidade !, triste vaidade !
J.-M. Nobre-Correia, mediólogo, professor emérito em Informação e Comunicação da Université Libre de Bruxelles.
JMF enquanto director de um jornal publicou primeiras páginas com mentiras, que sabia que o eram, com fins partidários.
JMF enquanto director de um jornal espezinhou todos os preceitos deontológicos da profissão.
JMF não merece qualquer crédito no que quer que seja que tenha a ver com informação, ética, verticalidade, dignidade.