O governo resolveu enviar secretários de Estado em vez de ministros para a discussão na especialidade do Orçamento para 2012, baixando assim o nível e a importância do debate. Ora, a discussão na especialidade é aquela que verdadeiramente interessa por ser o momento em que os partidos apresentam formalmente as suas propostas.
Não é que os “ajudantes”, como o Professor Cavaco chamava aos secretários de Estado, não percebam das matérias que lhes cabe discutir, mas o debate do mais importante documento de uma legislatura merecia ter actores principais em vez de actores secundários.
O abaixamento de nível chegou também aos participantes em debates políticos na televisão. Esta segunda-feira, para discutir os Transportes, no Prós e Contras, da RTP1, -tema crucial na vida dos portugueses – lá estava um secretário de Estado em vez do ministro da pasta.
Até o homem mais rico de Portugal, Américo Amorim, deu agora um forte contributo para baixar o nível das irregularidades que chegam a tribunal ao inscrever na sua holding “despesas com massagens, tampões higiénicos e mercearia“, recusando-se a pagar 750 mil euros que o Fisco lhe exige e recorrendo para o Tribunal Administrativo e Fiscal do Baixo Vouga. (Do “Baixo Vouga” já conhecíamos os robalos e as alheiras do Face Oculta. Agora o “nível” baixou para ”tampões higiénicos” e “massagens”…)
Depois das agências de rating nos baixarem o nível para “lixo”, é caso para dizer que estamos mesmo com falta de nível.