Este domingo, no seu habitual comentário na TVI, o professor Marcelo não quis tirar as conclusões dos temas que equacionou. Falando de comunicação social, em particular da anunciada privatização de um canal da RTP, sublinhou a importância da televisão para os portugueses – o meio através do qual “uma boa parte dos portugueses está ligada ao que se passa” – após o que disse:
“Eu acho que [a privatização) vai fazer-se em 2012 (…) os avanços e recuos de Miguel Relvas são intencionais para esfriar os espíritos e para mostrar algum distanciamento do governo.“
“A grande novidade é que aqueles de que se falava há 6 meses como os competidores mais significativos [à privatização de um canal da RTP) deixaram de ser falados: eram a Ongoing, de Nuno Vasconcelos, e a Cofina de Paulo Fernandes. Agora fala-se da Newshold, proprietáqria do Sol, que discretamente já comprou quase 20% da Cofina, de Paulo Fernandes, e foi buscar Marquitos, administrador da RTP, que já tinha estado no Sol e que agora para lá voltou. Ao mesmo tempo que se fala de um outro grupo também angolano, estamos a falar de capital de grupos angolanos, este aparentemente ligado a gente próxima do presidente da Sonangol, Manuel Vicente, interessado em comprar os jornais da Controlinvest, isto é, os jornais de Joaquim Oliveira (Jornal de Notícias, Diário de Notícias).”
“Temos portanto um panorama diferente no começo de 2012 quanto àqueles que podem dar cartas num ano em que a mudança que já houve em 2011 na comunicação se pode acelerar com a subida da televisão por cabo, a morte de jornais de referência com tiragens baixas, da rádio….”
Em suma: o mais ilustre e escutado comentador da televisão portuguesa constata que a anunciada privatização de um canal da RTP pode introduzir alterações profundas no panorama mediático nacional levando à concentração e transferência de propriedade de meios de comunicação social para (dois) grupos estrangeiros, no caso angolanos, ao mesmo tempo que vão desaparecendo jornais de referência….
O ilustre comentador não tirou, preto no branco, as conclusões que se impunham (aliás, em parte adiantadas aqui).
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Cara Estrela,
Tomei a liberdade de referenciar esta publicação no meu artigo acerca da concentração dos media portugueses nas mãos dos accionistas angolanos. Espero que não haja qualquer tipo de impedimento da sua parte. Deixo-lhe o link para consulta: http://otalhodaesquina.blogspot.com.es/2012/08/angola-domina-os-media-portugueses.html
Obrigado,
Miguel Ramalhosa
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