Era uma vez um ladrão de documentos que tardou a ser descoberto…
Um tipo subtrai documentos originais do processo de licenciatura de um aluno, numa instituição de ensino superior. Escreve um livro e dá entrevistas a jornais a dizer que tem na sua posse esses documentos. Os jornalistas escrevem isso mesmo, repetem e tornam a repetir que os documentos originais estão na posse desse sujeito.
O sujeito nunca é confrontado pelos jornalistas que investigam o caso com o desvio dos documentos oficiais que não lhe pertenciam, um roubo para todos os efeitos.
Pelo contrário, o sujeito é tratado quase como o “herói” da fita (apesar de ser arguido). O acusado é o Ministério Público por, no processo sobre falsificação de documentos relativos à licenciatura do mesmo aluno, ter usado “fotocópias” em vez dos documentos originais (os tais que foram subtraídos pelo dito sujeito).
Perante as acusações dos jornais o Ministério Público comunica que trabalhou com documentos “oficiais” mas os jornais continuam a dizer que os originais estão com o sujeito que diz que os tem. No meio da confusão, um dos jornais, o que “descobriu” o caso, chama mais ou menos mentirosa à procuradora do Ministério Público que disse que tinha trabalhado com os documentos oficiais.
É então que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal vem dizer que o sujeito que “desviou” os documentos
Podia ser uma simples estória de polícias e ladrões. Mas não é. É uma investigação jornalística com protagonistas altamente “graduados”. Reitores, vice-reitores, professores “catedráticos”, funcionários do Ministério da Educação, magistrados do Ministério Público.
Ao fim de tantos meses só agora é que se “descobriu” que o sujeito que subtraíu os documentos é ladrão e que o caso é crime.
Falta dizer que o aluno é José Sócrates; que o “ladrão” dos documentos é o ex-vice-reitor; e que a universidade à qual os documentos foram “subtraídos” é a Universidade Independente!
Só uma pergunta, as cópias em posse do min público refletem, são “autênticas” relativamente aos tais docs “oficiais” na posse do tal sujeito? Se sim, o conteúdo é que é relevante. Já agora gostava que fosse feita uma investigação às centenas de diplomas que se forjaram nos assaltos às reitorias depois do 25 de Abril. Eu adoro caça às bruxas.
De facto, o caso é verdadeiramente espantoso.
E falta,ainda, acrescentar que um dos “grandes” investigadores,paladino incansavel da luta pela verdade e pela sua divulgação acode pelo apelido Cerejo.
Os portugueses só podem ficar gratos a personagem.