“O Presidente da República esclareceu hoje à Lusa que, com as declarações que proferiu sobre as suas pensões, apenas quis ilustrar que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades, não tendo sido seu propósito eximir-se dos sacrifícios.“
Era preferível o Presidente ter ficado calado. Explico porquê.
Cheguei a pensar que as palavras do Presidente sobre as suas pensões tinham sido um daqueles “pseudo-eventos” criados para terem eco nos média e serem comentados e multiplicados criando novos “pseudo-eventos” até atingirem o efeito desejado pelo seu criador.
Enquanto o clamor contra as palavras do Presidente crescia, imparável, sem ninguém se deter naquilo que me parecia ser o essencial da questão, eu interrogava-me sobre o significado daquela declaração, dita assim, na rua, as palavras pausadas, mastigadas, repetidas até, com um “ouviu bem, o que eu disse?” dirigido ao jornalista que lhe fez uma pergunta sobre outra coisa qualquer. Não, não eram palavras de improviso!
Eu pensava que o Presidente disse o que disse porque quis dizê-lo, um Presidente não diz coisas que lhe saem da boca para fora. Para isso é que tem assessores – no seu caso até tem um especialista em formas “sofisticadas” de comunicação – que o aconselham sobre os locais e os temas onde é oportuno fazer determinadas declarações, antecipando o seu efeito, etc., etc..
Não, o Presidente não ia queixar-se da reforma da Caixa Geral de Aposentações, assim de repente lá porque foi ao site da Caixa ver a reforma de Janeiro e ficou furioso com o corte que levou.
Agora, perante o take da Lusa a dizer que o Presidente só quis “ilustrar que acompanha a situação dos portugueses”, tenho que confessar que me enganei e que o Presidente afinal é como aqueles que são “apanhados” e dizem a primeira coisa que lhes vem à cabeça.
É demasiado mau para ser verdade. Antes permanecesse calado!