Este excerto pertence a um artigo publicado hoje no Público da autoria de Paulo Trigo Pereira, professor no ISEG. Trata-se, pois, de alguém que sabe do que fala.
Em particular, chamou a minha atenção a seguinte frase: “Não é possível voltar aos mercados em 2013 em condições normais e todos sabem disso, apesar de haver coisas que não se podem dizer publicamente (…)”. Eis o excerto:
Nos tempos que correm temos um novo conceito de “patriotismo” e de “interesse nacional”. Se alguém levanta dúvidas sobre a capacidade de Portugal para pagar a dívida logo os defensores do status quo vêm dizer que está a prejudicar a imagem do país no estrangeiro. Se alguém questiona o actual lema do Governo “Nem mais tempo nem mais dinheiro” não é patriota….
O malabarismo verbal em que muitos caíram após o “crime de lesa-pátria” praticado pela TVI ao revelar a conversa de Vítor Gaspar com o seu homólogo alemão, não esconde o embaraço provocado pela revelação de que o ministro das Finanças (o mesmo é dizer o Governo) assumiu que Portugal precisa de mais tempo e de mais dinheiro, mas não o diz…
Impossível não lembrar que o anterior primeiro ministro era chamado de “autista” (para dizer o menos) quando afirmava não estar disposto a governar com o FMI e recordar como a partir de Bruxelas se olhava para Portugal pouco tempo antes do pedido de ajuda.
”Saudosistas” dirão alguns. Eu diria antes que ter memória (e arquivos) é uma chatice!

Uma maneira mais soft de dizer que “quem não é por nós é contra nós.”