Aos sábados há muito papel para ler e por isso sou mais selectiva que nos outros dias. Começo pelo Expresso, depois vou às compras, regresso, é hora de almoço. A seguir, se há filme para ver, folheio a correr o Público e o DN e no regresso leio então com detalhe as notícias que me interessam.
Hoje encontrei no Público esta notícia reincidente nas “fontes próximas” (desta vez do ex-primeiro-ministro) que falam em discurso directo. Lembrei-me dos “cavaquistas” de há umas semanas e tenho pena que um jornal de referência insista nesta prática inaceitável de citar pessoas sem as identificar.
Neste caso não há intriga pelo meio, como havia nos “cavaquistas”, e é fácil identificar que a “fonte próxima” é mesmo muito próxima, tão próxima que se confunde com aquele por quem fala….
É claro que o essencial da notícia é a ” fonte próxima” dizer «em nome do ex-primeiro-ministro: “Vemos hoje tudo o que perdemos por ter pedido ajuda externa: níveis de desemprego, de falências, ratings da República, dos bancos: quantos anos vamos demorar a regressar aos níveis de há um ano?”»
Quem discordará? Mas concordar com uma “fonte próxima” é sempre confrangedor….ainda se fosse o próprio a dizê-lo … talvez o Público tivesse até feito capa com uma memória tão pouco “doce”….diria até com uma memória tão “brutal”!
É interessante ver que quando o agora Governo estava na oposição clamava contra as parcerias público privadas, a favor das quais votou no parlamento!. Até ao momento ainda não veio a público que tenha renegociado alguma dessas parcerias, pelo contrário: os novos Hospitais de Loures e de Braga são novas parcerias público privadas.
A fonte próxima esqueceu-se de referir de quem é a culpa por termos chegado a uma situação em que não havia outra solução que não pedir ajuda externa. E, mais grave ainda, das condições em que isso foi feito, agravando desnecessariamente a situação. Se a fonte próxima tivesse pedido ajuda em 2010 e não em 2011, se não tivesse cometido erros gravíssimos em 2009 (por exemplo, aumentar funcionários públicos em ano de eleições ou despejar milhares de milhões na economia na ilusão de a “fazer crescer” (através da duplicação da dívida pública para financiar parcerias público privadas manhosas), não estaríamos na situação em que nos encontramos.