Acontece, porém que:
O repórter de imagem espanhol que, no mesmo dia 10 e na mesma sala, captou, gravou e divulgou outra conversa, esta entre o ministro espanhol da Economia e o comissário Olli Rehn, não sofreu qualquer represália.
Repórteres austríacos que na mesma reunião gravaram e divulgaram um comentário do ministro austríaco das Finanças não foram objecto de nenhum procedimento.
Ora, a equipa de reportagem da TVI (tal com a espanhola e a austríaca) não violaram qualquer lei porque os serviços de imprensa do Conselho Europeu ainda não ditam leis.
A equipa da TVI (como as outras duas) teve acesso a uma conversa porque os seus protagonistas não a evitaram quando tinham à sua frente uma câmara de televisão ligada. Se fosse uma conversa banal, pessoal ou íntima teria permanecido desconhecida como tantas que por lá acontecem.
Sendo uma conversa política de interesse relevante para Portugal, a TVI fez bem em não a ignorar.
Não foi a primeira vez que o interesse público de uma notícia se sobrepôs a regulamentos e mesmo a preceitos legais (que para este caso não existem).
Um jornalista sabe que ao optar pelo que, em consciência, considera ser o interesse público de uma notícia, mesmo contrariando outros valores ou preceitos, assume as consequências e por isso não é um drama que a equipa da TVI tenha sofrido uma represália imposta por quem manda e dita as regras na sala do Conselho Europeu.
O que choca não é, pois, o “castigo” à equipa portuguesa. O que choca é a decisão discriminatória dos serviços de imprensa que fez recair a sua “fúria” apenas nos repórteres portugueses, poupando os espanhóis e os austríacos.
Haverá alguém no Governo que peça explicações a Bruxelas e aos seus “serviços de imprensa” pela desigualdade de tratamento?
Ou ainda vamos pedir desculpa?
Não concordo com o tratamento desigual e isso considero muito grave.
Como cidadã sem qualquer ligação à Política ou ao Jornalismo fiquei chocada que as imagens tivessem sido divulgadas. Penso que, independentemente de regulamentos ou preceitos legais, foi falta de princípios por parte da Estação, só muito muito raramente posso considerar que os fins justifiquem os meios, parece-me que este caso está muito longe disso…
“Estamos de consciência tranquila. Fizemos o nosso trabalho e esperamos que o facto de a câmara da TVI não estar na sala ajude o CE a fazer o seu trabalho para combater a recessão económica e o desemprego de 24 milhões de europeus” (Pedro Moreira, enviado especial da TVI a Bruxelas, em declarações à Lusa)
A subserviência parece ser uma característica nuclear dos governantes portugueses. Mas, bem mais grave é esta notícia (http://economico.sapo.pt/noticias/jornalista-que-gravou-conversa-de-vitor-gaspar-com-schauble-foi-suspenso_138556.html) e o silêncio à sua volta.
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