Toma lá que já comeste!

Isto agora é assim: 

O moderador convida uns especialistas para debaterem os “Negócios da Semana”. A dada altura, os convidados falam de Regulação e da necessidade de a reforçar. No fim do programa, antes da despedida, o moderador resolve dar a sua opinião, já sem tempo para  réplica dos convidados.

Diz então o moderador (cito de memória): se eu mandasse acabava-se com os órgãos de regulação que só servem para gastar dinheiro com conselhos de adminstração que saem caros. Não regulam nada e favorecem os grandes grupos. Por isso a regulação deve ser feita nos ministérios, nas direcções gerais que têm técnicos muito competentes! Muito boa noite e até para a semana.

“Toma lá que já comeste!”. “Isso é que é falar”! diria o” Zé”

Mas eu digo outra coisa: então a regulação era feita pelos regulados? As direcções gerais iriam regular sectores geridos pelos seus ministros de quem dependem?

“Que raio de democracia é esta?” dirão os mais “politizados!”

Mas o moderador deve ter pensado: A última palavra é minha e pronto!

Esquecia-me de dizer que o programa é o “Negócios da Semana” e passou na SIC Notícias, ontem. O moderador é o jornalista José Gomes Ferreira (não encontro link para reproduzir com exactidão as suas palavras).

 

 

 

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9 respostas a Toma lá que já comeste!

  1. Joaquim Alexandre diz:

    De acordo com a legislação sobre Regulação & Concorrência existente em Portugal – cabendo distinguir os vários patamares regulatórios desde o central (autoridade da concorrência) passando pelos sectoriais (bancos, seguros, água, comunicação social, etc.) até aos profissionais (ordens, associações profissionais, etc.) – a actividade de supervisão, auditoria, controlo externo, regulação, etc., deve ser independente daqueles a quem a sua acção se destina. Infelizmente, José Gomes Ferreira tem razão no desabafo, ainda que não na conclusão: de facto, a regulação não pode ficar capturada (em tese) pelos regulados, pelo que nenhuma direcção-geral, secretaria de estado ou ministério poderia/deveria exercê-la. Disse “infelizmente” porque, não obstante o que escrevi antes, em Portugal a regulação é tudo menos independente ou neutra. Seja no “timings” das actuações, no “modus operandi” dos agentes ou na (óbvia!!) promiscuidade entre reguladores e regulados.

    O que fazer, pois?

    Recordemo-nos de que os escândalos mundialmente conhecidos que afectaram há uma década grandes empórios norte-americanos (com ramificações planetárias) advieram directamente – apesar de alguns “bem intencionados” querem escamotear o facto – da promiscuidade entre auditores e consultores, em que aqueles auditavam e certificavam o resultado gestionário decorrente da sua intervenção como consultores.

    Em Portugal temos – entre “n” outros – o caso das empresas públicas em que os relatórios trimestrais ou semestrais dos respectivos ROC mais não são do que actuações técnicas de consultoria, sendo aqueles profissionais os mesmos que, em sede da prestação anual de contas, vão proceder à respectiva certificação legal. Obviamente, a culpa não é dos ROC mas, antes, da legislação que se encontra em vigor, apesar de as disposições comunitárias contrariarem vivamente tal “mistura”. Aliás, muitas leis orgânicas de muitas entidades públicas pecam, desde logo, na sua génese ao impor que o Fiscal Único tem de ser ROC – premissa de todo irrealista pois só a segregação das duas funções (fiscalização regular e certificação legal das contas) permitiria garantir a imparcialidade de ambas.

    Fica, assim, o fio de resposta à questão que coloquei: há que pôr os senhores deputados de todos os partidos e respectivos assessores a trabalhar no terreno, inteirando-se do “país real” e, trabalhando com os técnicos da administração pública, legislarem em conformidade, em vez de avalizar chorudos pagamentos a gabinetes nos quais, directa ou indirectamente, têm interesses.

    Alguém disse, há dias, que os problemas de Portugal só se resolvem por governos que não se preocupam com os resultados eleitorais. É apenas metade do que devia ser dito. A outra metade é que tal só é possível com um governo ao centro, de “emergência nacional”, integrando primordialmente (mas não exclusivamente) o PS e o PSD.

    E quando será tal desiderato atingível? Pois, quando sobre os egos individuais e corporativos prevalecer o interesse nacional.

  2. Zeca, se acha que os reguladores devem ser controlados pelos regulados é lá consigo. Mas as entidades reguladoras, em países democráticos, são independentes, isto é, não têm tutela governamental ou outra.

  3. Boa observação, Deolindo, concordo consigo.

  4. zeca diz:

    As Entidades Reguladoras são organismos que têm como atribuições o
    acompanhamento de um determinado sector de atividade, podendo ter funções de
    fiscalização do mercado e do seu modo de funcionamento.

    Onde é que isto entra em conflito com interesses dos ministérios… mais as ER , não são dependestes dos governos e dos diversos ministérios?

    As ER não passam de mais estado em forma de não estado , mais jobs for the boys, altamente controladas e manipuladas pelos … (deixo ao vosso critério )

  5. Scorpius diz:

    Ainda não consegui compreender(por ignorãncia ou burrice minhas),as diferenças existentes entre moderador e comentador, tal como se verifica sobretudo nos média audiovisuais.Uma jornalista que conheci em tempos do Der Spiegel.dizia-me que um bom moderador devia falar o menos possível e dar ao comentador ou entrevistado o espaço necessário para expor com clareza as suas ideias.Salvo raras excepções,neste país,verifica-se precisamente o contrário,confundindo-se muitas vezes quem é o moderador e o comentador.Onde está afinal o ponto de equilíbrio?

  6. S. Bagonha diz:

    O JGF, coitado, anda a precisar de alguém que regule os dislates que regularmente “bota” cá para fora.

  7. Pingback: Clube de Jornalistas » Toma lá que já comeste!

  8. Perpétua Santos Silva diz:

    repito aqui o que disse há bem pouco tempo noutro local: estou tão casada, mas tão cansada dos media que temos…

  9. Vindo de quem vem, não me admira nada. O JGF pode ser o que se quiser, mas moderador é que ele não é.

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