A RTP tem razão

Debalde procurei nas notícias, incluindo uma entrevista ao responsável da GfK e o site desta empresa, responsável pelo novo modelo de medição de audiências de televisão, informação sobre a  amostra dos lares que constituem o painel com base no qual os dados das audiências dos diferentes meios são apurados. Apenas a RTP explica, com alguma clareza, o que se passou quanto à alegada “queda” dos resultados da  RTP1 comparativamente aos canais congéneres SIC e TVI. 

A amostra é, como se sabe, uma questão essencial em qualquer sondagem, inquérito, questionário ou outro tipo de “medição” por amostragem. É por isso espantoso que a constituição da nova amostra não tenha acautelado a representatividade do  universo que vê televisão e que, a crer na RTP, tenha sub-representado uma importante faixa etária – os maiores de 65 anos – que tradicionalmente procuram a RTP.

De facto, não basta usar uma tecnologia avançada e extensiva a meios até agora não incluídos nas anteriores medições feitas pela Marktest para que os resultados sejam fiáveis. Se a amostra não for representativa do universo a que se refere, a tecnologia, por muito avançada que seja, não é suficiente para lhe conferir o rigor exigido em trabalhos desta dimensão e com consequências tão gravosas para quem saia prejudicado.

Se, como referem os responsáveis do novo modelo, a amostra está ainda a ser testada e melhorada, os resultados desses testes deveriam ter sido reservados aos técnicos que os realizaram. A sua publicitação, não obstante o reconhecimento por parte dos responsáveis da GfK das insuficiências da amostra, não apenas introduziram no modelo factores de desconfiança como poderão ter causado danos de monta à RTP.

Como se sabe, a publicidade investe onde há audiências e o “bolo” a distribuir, mesmo em tempo de crise, excede os 300 milhões de euros. Acresce que foi preciso a RTP reclamar (e fê-lo de modo firme, diga-se) para que se conhecesse a razão (ou uma das razões) da discrepância verificada relativamente aos canais congéneres – SIC e TVI – os quais,  devido a uma estrutura de audiências semelhante entre si, não foram afectados pela desadequação da amostra.

Como os responsáveis deste novo modelo bem sabem, os dados das audiências de televisão são um “prato forte” de jornais e revistas, sendo que a interpretação desses dados nem sempre prima pelo rigor. Neste caso, a generalidade das notícias limitava-se a comparar dados, a acentuar a “queda da RTP” e a mencionar os protestos do operador público  sem ir à substância da questão.

Não bastavam já os ataques ao serviço público. Vir  agora uma “amostra perversa” dar argumentos aos seus detractores é azar a mais!

Este episódio traz-me à memória o que ouvi a  um “patrão” de uma televisão: «quem manda não somos nós mas os “homens das audiências”».

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4 respostas a A RTP tem razão

  1. Scorpius diz:

    Do cozinhado que está a ser preparado para a RTP,o osso vai ficar no serviço público;o tutano irá para a Relvas Televisão Privada.

  2. J. Gonçalves diz:

    A explicação para a quebra de 50% da audiência não me convence. A sub-representação dos maiores de 65 não afecta exclusivamente a RTP e a audiência do serviço público não é constituída maioritariamente por reformados e idosos. Nem deverá ser.
    Há, obviamente, erros grosseiros na definição da amostra e/ou no processo de medição.
    Tenho um feeling de que ainda vamos ler muita coisa sobre os métodos da GfK.

  3. Pingback: Clube de Jornalistas » A RTP tem razão

  4. S. Bagonha diz:

    Uma aposta, uma apostinha, que ali anda dedo do Relvas e/ou do Balsemão?

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