Num acto de falsa modéstia Marcelo disse hoje que Seguro o “escolheu como interlocutor” e repetiu o “mote” que outros comentadores e jornalistas usaram durante a semana: o líder do maior partido da oposição não pode ”polemizar com um comentador”, só polemiza “com o primeiro-ministro”. Desculpou-se depois com as “novas formas de comunicação”, afirmando que o que antes era “fortíssimo” no debate político hoje é vulgar e concluiu que “Seguro quis vitimizar-se”.
As críticas de Marcelo e de outros comentadores e jornalistas ao facto de Seguro ter reagido na TVI, são “gato escondido com o rabo de fora”. Porque, das duas uma: ou Marcelo é um enterteiner e os seus comentários não são para levar a sério, devendo os seus excessos de linguagem ser encarados com tolerância, como no caso dos programas humorísticos; ou Marcelo é um comentador político e, como tal, são-lhe aplicáveis as regras exigidas a qualquer comentador, isto é, o estudo dos temas objecto de análise e comentário, rigor nos factos e fundamentação nas acusações a terceiros.
As críticas a António José Seguro, por ter reagido a Marcelo, apontam para uma convergência de interesses entre comentadores e jornalistas-comentadores (os sectores do onde partiram as críticas) e mostram que todos querem estar ” à vontade” para usarem os espaços de que dispõem para manipularem factos, criticarem sem fundamento e não terem de sujeitar-se a serem formalmente desmentidos. Por outras palavras, defendem a irresponsabilidade e a inimputabilidade para si próprios. Ora, isso é inaceitável!
Pode discutir-se a “proporcionalidade” da reacção de Seguro, ao disponibilizar-se para ir à TVI responder a Marcelo. Pessoalmente, teria considerado suficiente que o PS tivesse usado um direito de resposta formal, já que é para isso que esse instrumento jurídico existe. Aliás, não seria a primeira vez que alguém usaria o direito de resposta contra Marcelo. O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, usou-o em Julho de 2008, na RTP, quando Marcelo deturpou palavras suas e este exigiu que a RTP exibisse no mesmo espaço uma resposta sua escrita no écran.
Deixar sem resposta acusações infundadas e caluniosas (como foi o caso) só porque a opinião é livre (e a asneira também) e um líder partidário não “desce” a polemizar com um comentador é pactuar com a irresponsabilidade e degradar ainda mais a imagem da política e da democracia (e, já agora, também a dos comentadores, embora pareça que isso pouco lhes importa).
Porém, também os comentadores estão obrigados a respeitar uma ética.
como dizia Pedro Santana Lopes, ele tem pinta é de ‘pregador’, mas teve a arte de ganhar uma comunicação social que o venera.
Concordo, plenamente.
Mas acentuo, com a devida vénia: Marcelo na TV, como comentador, é uma vergonha.
Marcelo é um actor político, e um actor é suposto agir, não… fazer comentário.
Porque o comentário, ou análise, requer distância, isenção, imparcialidade, desinteresse.
E Marcelo não tem nada disso, como todos sabemos.