O governo e o Parlamento sofrem de incontinência verbal

Entrevista a Paula Teixeira da CruzAlguns membros do Governo sofrem claramente de incontinência verbal. Depois do primeiro-ministro em Londres e do ministro Gaspar na reunião do FMI, hoje foi a ministra da Justiça numa entrevista à Antena 1 onde, depois de dissertar sobre o “sofrimento” e embora dizendo que defende a completa separação de poderes, pressionou de maneira despudorada (vindo de um membro do governo) o Tribunal  Constitucional, afirmando que se este viesse a declarar inconstitucional a suspensão dos subsídios de férias e de Natal seria uma “catástrofe”  e adiantou-se ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças criando um novo facto político: a reposição dos subsídios dos funcionários públicos “só a partir de 2014… se houver espaço”!  

Também no Parlamento os deputados andaram a reboque dos comentadores. Alguns jornalistas dizem que o PSD substituiu o candidato ao Tribunal Constitucional por ser da maçonaria, outros por ter sido advogado de Vale e Azevedo. Ao que isto chegou! O candidato é advogado, aparece na SIC de vez em quando e como ninguém sabe se foi ele que retirou  a candidatura ou se foi o PSD que o retirou todas as especulações são possíveis. Mas se a retirada foi por ser da maçonaria é ridículo, dadas as histórias bem recentes sobre deputados e governantes maçons. Se foi por ser advogado, seja de quem for, também não se percebe. Se era o currículum que não bastava (é mestre em Direito) não se sabe que mais queriam já que  a maior parte dos membros de outros tribunais e do Ministério Público se fica pela licenciatura.

E quanto ao candidato indicado pelo PS dizem que não serve porque saíu há pouco do Governo e a ministra da justiça disse umas coisas dele enquanto foi secretário de Estado, além de que também não tem curriculo que chegue. Está mesmo a ver-se que vai ser substituído.

Ouvindo os “especialistas” que falaram nos fóruns radiofónicos, verifica-se que quase todos concordam na componente política do TC e  que  o Parlamento deve indicar alguns dos seus membros. Só que, a crer em Jorge Miranda, entre outros que se pronunciaram, os deputados devem fazer os acordos sobre os nomes discretamente, “à porta fechada”, para que os jornalistas não escrevam e digam que “este é o candidato do PSD e aquele o do PS” ou, como também ouvi, “os candidatos do “centrão”.

Tudo é, afinal,  uma questão de os deputados estarem calados. Sofrem também de incontinência verbal porque exibem os candidatos como “seus”.

E, sobre os currículos, os candidatos “não precisam de ter doutoramento” (diz a ministra da Justiça). Mas, como se viu com o candidato retirado pelo PSD, mestrado também não chega. Como o candidato que tem só licenciatura  também não serve porqueesteve no governo (do PS), talvez o exame da 4.ª classe que vai ser reposto pelo ministro Crato seja o indicado.

E assim vamos andando distraídos do que interessa.

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2 respostas a O governo e o Parlamento sofrem de incontinência verbal

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