A opção de Cavaco Silva de publicar no site da Presidência da República um comunicado desmentindo o Diário de Notícias sobre as suas ligações ao BPN não me parece acertada.
A prova disso está no facto de ontem, logo a seguir à publicação do comunicado, na sua edição electrónica e hoje na edição papel o DN ter, por sua vez, não só desmentido o Presidente, como repetido tudo o que escrevera ontem, multiplicando assim o efeito devastador, para o Presidente, das informações que publicara na véspera.
Os assessores do Presidente deveriam, por outro lado, tê-lo dissuadido de usar o sítio da Presidência para tratar de assuntos financeiros familiares. Se o Presidente é o primeiro a associar as duas esferas não deve admirar-se depois de que os portugueses o façam também.
O assunto BPN irrompeu com estrondo na sua campanha eleitoral, provocando no então candidato reacções e mesmo discursos de grande indignação.
Ora, como então escrevi, a melhor maneira de responder às questões que já então se colocavam, e agora o DN volta a trazer a público, seria, de uma vez por todas, 0 cidadão Cavaco Silva, esclarecer, entre outras questões que lhe são colocadas, qual o seu papel enquanto accionista da SLN e que eventuais benefícios de que tenha tido conhecimento resultaram da sua relação com os anteriores gestores.
Interessaria, por outro lado, saber como interagiu com o Governo anterior e com o actual, enquanto Presidente da República, nas soluções encontradas para o BPN.
Limitar-se, como agora fez, a repetir o que já anteriormente dissera sabendo que isso não responde às dúvidas que persistem não contribui para esclarecer os portugueses. Pelo contrário, leva aqueles que não haviam lido as notícias antes publicadas pelo Expresso e agora pelo DN a relê-las e a confrontá-las com os seus comunicados e concluir que ou o Presidente não entende o que lhe é perguntado (o que seria absurdo) ou pura e simplesmente não quer responder.
O BPN ameaça tornar-se a assombração do Presidente.
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Se fosse só esta questão a que o presidente deve responder! Então e às novas roubalheiras do (des)governo? E as assinaturas às leis que o tal governo publica sem conhecimento dos outros parceiros? O garante da constituição e a mesma a ser violada diariamente… Eu demitia-me