Como certos jornalistas, “magistrados e investigadores” contribuem para a desinformação dos cidadãos mais desprevenidos.

O enquadramento deste  título de capa do Correio da Manhã de sábado passado é, do ponto de vista do rigor informativo, um título  enganador. Por um lado, é ambíguo  quanto ao elemento temporal: induz o leitor a pensar que o acontecimento se desenrola no presente, isto é, que Ana Paula Vitorino terá sido  ameaçada agora e, por isso, terá visto a sua “segurança” “reforçada”.

Por outro, joga com elementos visuais, ao associar a imagem de Mário Lino à “ameaça” e ao “reforço da segurança”  carimbando a notícia com a fotografia de Mário Lino como tendo sido “envolvido” por ela na “ameaça”.

A capa sugere, pois, que Ana Paula Vitorino foi “ameaçada” por Mário Lino e, por esse motivo, a sua “segurança” foi “avaliada e reforçada”.

“Traduzindo” o título de capa do Correio da Manhã, temos que  um-antigo-ministro-ameaça-uma-antiga-secretária-de-Estado-a-ponto-de-esta-ter-segurança-reforçada.

Pasme-se: o-ministro-ainda-não-foi-preso!

A ser assim, trata-se-ia, sem dúvida, de uma notícia de grande relevância que justificaria plenamente a manchete do jornal, não se percebendo mesmo porque não abriu telejornais e noticiários de rádio desse dia e dos seguintes. Nada, porém, como ler o texto completo da notícia para tentar perceber do que se trata.

Em suma, fica-se a saber que as “ameaças físicas” a Ana Paula Vitorino ocorreram “a dado momento“. A própria suspeitou” que viessem “de dentro do partido”. Em sequência, “participou o caso ao Gabinete Coordenador de Segurança. Este fez “uma análise informal do risco. Como era deputada podia ter “vigilância informal“. Os “magistrados e investigadores” do “Face Oculta” souberam do caso  e “de imediato associaram-no às declarações de Ana Paula Vitorino que tinha implicado Mário Lino“.

Isto é, a notícia manipula datas e hipóteses colocadas por “magistrados e investigadores” anónimos …

Leia-se o texto completo da notícia e veja-se como certos jornalistas, “magistrados e investigadores” contribuem para a desinformação dos cidadãos mais desprevenidos. Chama-se a isto manipulação da informação!

Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado do PS, recebeu ameaças físicas que, a determinado momento, suspeitou que viessem do interior do próprio partido. A deputada socialista não chegou a formalizar a queixa nas autoridades policiais mas participou o caso ao Gabinete Coordenador de Segurança, o que motivou uma análise informal do risco. Tendo em conta o cargo que ocupava na Assembleia da República, Ana Paula Vitorino gozava de prerrogativas especiais, o que também lhe permitia usufruir de vigilância informal.

As ameaças endereçadas à agora deputada chegaram ao conhecimento dos magistrados e investigadores do processo Face Oculta, sendo de imediato associadas às declarações daquela ainda na fase de inquérito do caso. Em depoimento, Ana Paula Vitorino tinha implicado o ex-ministro das Obras Públicas, Mário Lino – que está a ser investigado por tráfico de influências.

A deputada tinha confirmado os pedidos do antigo governante em relação a demissões na administração da Refer e ajudas a Manuel Godinho.

Ana Paula Vitorino chegou mesmo a afirmar que Mário Lino se referia às empresas do sucateiro de Ovar como sendo “amigas do PS”.

Armando Vara, ex-ministro de Sócrates e antigo vice-director do BCP, também foi visado nas declarações da deputada, tal como o gestor Lopes Barreira.

A tese da acusação refere que ambos os arguidos no processo intercederam junto de Mário Lino para que aquele ajudasse o universo empresarial de Godinho, em troca de incentivos monetários para o partido.

O ex-ministro socialista, que testemunhou anteontem no Tribunal de Aveiro, terá pedido à antiga secretária de Estado que falasse com Luís Pardal, ex-presidente da Refer, com vista a resolver o conflito existente entre a empresa pública e a O2, do sucateiro. 

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Uma resposta a Como certos jornalistas, “magistrados e investigadores” contribuem para a desinformação dos cidadãos mais desprevenidos.

  1. ebookspt diz:

    É do PS? É para matar. O CM fez o mesmo há dias, colocando como criminoso altamente perigoso um advogado da província, só porque ele tinha sido candidato à CM pelo PS.(Correio da Manhã de 23/4/2012). Enfim, jornalismo de sanita.

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