Os repórteres televisivos apresentaram o caso como um fait divers: no Parlamento um documento andou perdido 40 dias sem ninguém dar por isso. “Perdido” “nos corredores e diferentes pisos deste palácio”, disse o habitualmente circunspecto deputado do PSD, Duarte Pacheco… um problema de “comunicação interna”, disse a Presidente Assunção Esteves…
40 dias durou o “desaparecimento” sem ninguém dar por isso: quem o enviou não se assegurou de que ele chegaria ao destinatário; vários que o receberam, sem dele serem destinatários “normais”, não se incomodaram a perguntar porque razão o documento lhes fora enviado. Quem o devia ter recebido não deu pela sua falta… Só pode tratar-se de algo sem relevância, nem podia ser de outra maneira…
Mas não. Diz o Público que “É um documento de 36 páginas onde se fazia o “ponto de situação sobre os objectivos do Programa Nacional de Reformas”. “Quando o deputado do PSD Jorge Paulo Oliveira se preparava para apresentar as suas conclusões “sobre a recomendação do Conselho Europeu relativa ao Programa Nacional de Reformas de 2012 de Portugal e à emissão de um Parecer do Conselho sobre o Programa de Estabilidade de Portugal para o período de 2012-2016”, João Galamba (PS) pediu a palavra para denunciar a omissão..”
Alguém será responsabilizado? Não há no Parlamento um registo de entradas, protocolos, coordenação da distribuição de documentos, etc., preparação e distribuição antes do agendamento nas Comissões, etc., etc.? Como é possível a desorganização que este quase caricato episódio traduz?
Espantoso? Nem por isso. Hoje mesmo, no Parlamento o primeiro-ministro não sabia que a Maternidade Alfredo da Costa vai encerrar este ano porque o ministro não lhe disse e ele acha bem que os ministros não lhe digam o que decidem. Também não sabe nem quer saber e “tem raiva a quem sabe” (e a quem pergunta) o que se passa com o resgate de Espanha, como também se viu hoje no Parlamento…
Mas há males que vêm por bem: agora que o Programa Nacional de Reformas de 2012 de Portugal foi finalmente encontrado, que tal se começasse por ser aplicado no Parlamento e no Governo?

“Não tenho que saber tudo o que os ministros fazem.”Estas palavras,proferidas a propósito do encerramento da MAC,são reveladoras da incapacidade e falta de liderança do primeiro ministro.
Somos levados a crer que as reuniões do conselho de ministros serão uma espécie de encontros informais de amigos,do género “tea party”,onde se contam as mais recentes anedotas em circulação.
Pouco importará discutir e conservar os poucos polos de excelência que ainda possuímos e que a maioria dos nossos jovens investigadores estejam dispostos a emigrar.Que importãncia têm estes problemas comparados com os elogios ao bom aluno provenientes da troika e da sra. Merckel?Pouco importará igualmente a bagunçada que se verifica no Parlamento, já que a mesma poderá até servir de tapume para abafar ruidos perturbadores da estratégia política
delineada.E assim foi o bom povo de arco e balão,vindo a seguir o martelo e alho porro.