As declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, e do primeiro-ministro, Passos Coelho, no final da reunião do governo para balanço do primeiro ano de governação, tiveram um enquadramento peculiar. Veja-se a imagem: o primeiro-ministro está à direita do ministro de Estado, em vez de lhe dar a direita.
É certo que Portas falou primeiro e fez o discurso político que competia ao PM….
Porém, no mesmo dia, à mesa da reunião dos ministros e secretários de Estado, o protocolo era diferente, mas continuou peculiar. Passos, anfitrião, dá a sua direita a Portas (que é n.º 3 do governo) e a sua esquerda a Gaspar (que é o número dois). Os dois ministros não estarão trocados? Ou Gaspar foi “despromovido” por causa do déficit? Ou chegou a vez de Portas dar a cara pelo governo? 
Mas a confusão de lugares não acabou aí. Hoje, no Parlamento, a ordem protocolar voltou a ser diferente, com Vítor Gaspar no lugar do número dois, à direita do primeiro-ministro, e Portas à esquerda, como número três que na realidade é:
Veja-se, em situações idênticas, quem ficou à direita de quem: em Madrid, Zapatero, anfitrião, dá a sua direita a Passos Coelho:
Em Belém, Cavaco, anfitrião, dá a sua direita a Barak Obama:
Em Washington, Obama, anfitrião, dá a sua direita Cavaco:
Será que no governo português os ministros distribuem os lugares ao calhas? Ou quem chega primeiro senta-se onde quer? Ou é a desorganização do governo a estender-se ao protocolo? Não viria daí mal ao mundo mas, já agora, convinha que ao menos em momentos mais formais se percebessem as precedências entre ministros…




