Todos nos lembramos das notícias sobre a licenciatura de Sócrates que fizeram manchetes de jornais como o Público, nesta capa de 1 de Maio de 2007, um dos jornais que mais se distinguiu na cobertura desse tema, depois de o assunto ter surgido no blog “Do Portugal profundo” e sido publicada no jornal o Crime. 
Há quase um mês, o Crime resolveu investigar a licenciatura do ministro Miguel Relvas, sem conseguir resposta do ministro e das universidades onde ele estudou.
Desta vez, o citado blog e os jornais que antes não largaram a licenciatura de Sócrates, guardaram silêncio sobre a notícia de o Crime.
Nem o facto de o assunto percorrer as redes sociais desde há semanas quebrou esse silêncio. Até que, hoje, o ministro decidiu falar ao jornal i “explicando” a sua licenciatura, como lhe tinha sido solicitado pelo jornal o Crime.
Tanto bastou para que nas suas edições online o Público, e o Jornal de Negócios tomassem o assunto em mãos acrescentando-lhe novos dados, sem contudo terem obtido mais explicações do ministro, de colaboradores seus ou das universidades envolvidas no percurso académico do ministro.
O caso é interessante não apenas pelo percurso do ministro mas também pela maneira como os sistemas político e mediático funcionam.
O Público e o Jornal de Negócios não deram crédito à notícia de o Crime. Pelo menos não a investigaram ou, se o fizeram, não encontraram nos dados apurados matéria noticiável. Por seu turno, o ministro escolheu o momento e o jornal onde se “explicou”. Escolheu bem a avaliar pelo título de capa, que lhe é favorável. De facto, o i considera que o ministro “descreveu em detalhe” “como concluíu a licenciatura”. Mas a crer no Público e no Jornal de Negócios faltam muitos detalhes para a explicação ser completa.
Veremos se o interesse dos jornalistas pela licenciatura de Relvas tem paralelo com o interesse que tiveram pela licenciatura de Sócrates.
Podemos entretanto perguntar: se o ministro não tivesse falado ao jornal i, os outros media ficariam em silêncio?

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Estrela Serrano, nas notícias do Público deixa-se claro que o trabalho de investigação estava em curso. A notícia do i apenas precipitou a sua publicação. O que me parece motivo de reflexão é o facto de, tanto tempo após as notícias do Crime, o i ter publicado a notícia nos termos generosos (para o ministro) em que o fez.
Pela minha parte,enquanto cidadão que se vai interessando pelo que se passa nos média-por isso sigo regularmente este blog- estou tranquilo; estou certo que profissionais do jornalismo independente com são a D. Felicia, o senhor Micael, ou o senhor Cerejo não deixarão de investigar a fundo a questão e esclarecer-nos respeitando os mesmos critérios que aplicaram a Sócrates.
E, quem sabe, talvez até a RTP faça um esforço nesse sentido,sem contudo nos deixar de proporcionar reportagens sobre o que se passa no julgamento do caso “Freeport”
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Miguel M. Veja então a diferença: a primeira apareceu num blog e permaneceu apenas na Internet durante cerca de dois anos; a segunda apareceu num jornal e daí passou para as redes sociais (FB). Apenas depois de o ministro falar ao jornal i e cerca de um mês depois de ter sido publicada num jornal (o Crime) é que outros jornais lhe pegaram. Não há diferença?
Um simples palpite:ou a maioria dos jornalitas mantêm nos seus subconscientes o sucedido muito recentemente com a jornalista do Público,Maria José Oliveira. ou o jornalismo de investigação fechou as portas e foi para férias.
Hugo Torres, referia-me ao http://vaievem.wordpress.com/wp-admin/edit-comments.php#comments-formtempo que decorreu entre a notícia de O Crime e o dia de ontem.
O Público deu crédito ao Crime nas duas notícias que publicou ontem online (http://publico.pt/1553153 e http://publico.pt/1553290), assim como na notícia publicada no jornal (em papel) de hoje.
Deixe ver se percebi. O Portugal profundo começou a falar de Sócrates em Fevereiro de 2005, e o assunto desde aí circulou imenso na blogosfera. E pelo que voce refere, apenas em Maio de 2007 finalmente um jornal pega no assunto, dois anos e dois meses depois.
O caso Relvas apareceu há um mês, e faz desde ontem manchete em muitos orgãos de comunicação social. Um mês….
Qual é que é mesmo o seu ponto ? Acho que está um bocado trocada e confusa de ideias.
Boa pergunta.