A coligação governamental está em descontrolo verbal:
- “Barões” do PSD e do CDS (Marcelo, Capucho, Marques Mendes, Bagão Félix, Pires de Lima) pedem publicamente a demissão do ministro Relvas;
- O primeiro-ministro critica o presidente do Tribunal Constitucional por se ter “atrevido” a explicar o acórdão que dita a inconstitucionalidade do corte dos subsídios aos funcionários públicos, depois de ele próprio ter reagido desabridamente e “a quente”, à entrada de um teatro, à decisão do mesmo Tribunal;
- O ministro Portas “manda” o primeiro-ministro ser “institucionalista” e não criticar o presidente do Tribunal Constitucional;
- O primeiro-ministro critica os membros do Governo que faltaram à reunião do Conselho Nacional do PSD, considerando que a sua ausência era inaceitável, ao que dois deles (ministra da Justiça e ministro da Defesa) responderam que tinham mais que fazer e que primeiro estava o trabalho que tinham que preparar.
- O ministro Portas “descobriu” que a dívida do sector privado não entra nas contas e daí os funcionários públicos que paguem a crise;
- O presidente da câmara de Gaia, repreende e ameaça o seu vice-presidente por se “atrever” a criticar o ministro Relvas e a sugerir a sua demissão!
É preocupante assistir à degradação a que chegou o governo.
O Presidente Cavaco já estará de férias? E não vê, nem ouve, nem lê as notícias, nem frequenta (ou alguém por ele) as redes sociais?
Não será altura de o Presidente ajudar o primeiro-ministro a terminar bem o mandato de alguns ministros?
O presidente Cavaco pode não estar de férias. Mas basta ouvi-lo quando fala de improviso, para perceber que a demência senil lhe está a bater à porta.
Nem Américo Tomás (e custa-me muito escrever isto) nos seus piores momentos, mostrou tamanha incapacidade.
Cavaco não terá ninguém na família, ou no círculo de amizades (admitindo que esses amigos existam sem ser parase servirem dele), suficientemente lúcido que tivesse evitado a sua recandidatura, poupando-o às tristes figuras que anda a fazer?
Tomara o Presidente ser ajudado para se manter no cargo com um mínimo de dignidade durante o ainda longo período de mandato que lhe resta cumprir.
Pois era; mas para tanto seria necessário que o Presidente não se sentisse comprometido com a existencia da actual situação politica.