Depois de Marcelo, Marques Mendes e Santana Lopes, foi hoje a vez de Paulo Rangel comentar na sua página semanal no Público, a deriva populista no discurso de Passos Coelho inaugurada com o já célebre “Que se lixem as eleições”.
Apesar de afirmar que “carece de sentido a leitura enviesada de que o primeiro-ministro, num assomo antidemocrático, despreza os mecanismos eleitorais“, Rangel critica Passos associando à expressão usada por este a figura “muleta de vulgaridade” que, segundo afirma, “não é congruente com aquilo que se espera de um primeiro-ministro e deste primeiro-ministro em especial“.
Rangel destoa, assim, dos ex-líderes do PSD – Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Pedro Santana Lopes – que na TVI defenderam a “bondade” da expressão de Passos Coelho, embora com diferentes argumentos.
Indiscutivelmente um dos políticos do PSD melhor preparados, opositor de Passos na corrida à liderança do partido, Paulo Rangel está mais à vontade para criticar o líder, embora sendo deputado do partido no Parlamento Europeu se obrigue a alguma contenção.
Marcelo, Mendes e Santana competem entre si no papel de comentadores políticos. Funcionam simultâneamente como insiders, com acesso a informação privilegiada no governo, e por outro lado como outsiders, criticando, opinando e aconselhando Passos sobre o que deve fazer.
A estratégia de Marcelo e de Mendes parece óbvia: ambos são putativos candidatos não assumidos a lugares que dependem do apoio do partido e, portanto, de Passos Coelho. Interessa-lhes, pois, não desgastar o governo – a presidência da república e a presidência do parlamento são lugares apetecíveis para ex-líderes…
Porém, como comentadores Marcelo e Mendes sabem que necessitam de mostrar algum distanciamento porque a presença na televisão é para ambos uma prioridade (vidé a reacção negativa de Marques Mendes quando Marcelo o sugeriu a Passos para substituir Relvas). Eles sabem que a visibilidade conferida pela televisão é essencial à estratégia de qualquer político que aspire a outros voos.
E é impressionante constatar que grande parte do comentário político é influenciado por interesses de barões e baronetes do PSD, com os seus ex-líderes marcando em grande medida a agenda política e mediática. Mérito deles, certamente. Demérito dos partidos da oposição e, principalmente, demérito do jornalismo.

Escreve-se correctamente “mais bem preparados” e não “melhor preparados”.
São pardais do mesmo bando à procura da melhor espiga!…
Pois é : sem minimaizar uma certa incapacidade dos partidos da oposição. a questão decisiva é a de saber onde anda o jornalismo.
Ou seja saber que aquilo que diariamente nos oferecem ainda se pode chamar jornalismo.