A entrevista da António Costa à agência Lusa, publicada no passado domingo, a propósito dos cinco anos como presidente da autarquia de Lisboa, leva hoje o Expresso a dedicar-lhe uma notícia comentada de quase página inteira, da autoria de Cristina Figueiredo, um apontamento em “Pé de Página”, de João Garcia, e um artigo de opinião do colunista Henrique Raposo.
O título do primeiro texto marca o tom crítico que caracteriza também os restantes textos: 
Nesse texto, uma fonte dada como “apoiante de longa data de António Costa”, mas que preferiu manter o anonimato, tece duras críticas ao presidente da câmara de Lisboa secundadas por outras fontes sempre sob anonimato – “houve quem notasse a necessidade de protagonismo do notável socialista”, escreve a autora do texto. Mas a frase que despoletou todas as críticas (tal como acontecera noutros jornais na altura em que a entrevista foi conhecida) é a seguinte:
Ora, conforme se lê no próprio texto do Expresso, Costa foi “questionado pela Lusa sobre a hipótese de ser secretário geral do seu partido”, sendo portanto a sua resposta absolutamente natural. A entrevista aborda diversos temas que a Lusa publicou em vários takes. Contudo, o Expresso detém-se naquela frase acusando implicitamente o autarca de ”fragilizar a liderança de António José Seguro”.
No seu texto, João Garcia afirma que António Costa ”podia ter escolhido outra altura [para dar a entrevista à Lusa] para evitar ensombrar o aniversário do seu camarada” .
Não sei se foi Costa quem “escolheu” a data da entrevista ou se foi a Lusa que quis assinalar os cinco anos do seu mandato. Se a iniciativa partiu da Lusa, será que Costa deveria ter recusado a entrevista? Ou não devia ter respondido à pergunta sobre a hipótese de ser secretário geral?
Se foi António Costa a “escolher” a data da entrevista para concretizar as intenções que lhe são atribuídas, o problema passa a ser da Lusa que teria aceite veicular a estratégia política do presidente da câmara de Lisboa.
Mas a posição crítica do Expresso face à entrevista de António Costa pode relacionar-se também com o texto de Henrique Raposo, em que este alude ao que chama de “boa imprensa de António Costa”, “menino bonito das redacções, “D. Sebastião incensado pelos media” e outros “mimos” ao estilo do autor. 
Será que o Expresso quis mostrar ao seu colunista que, no Expresso, António Costa não é “mimado” nem é “menino bonito” nem tem “boa imprensa”? Et pour cause, António Costa é irmão do director do Expresso, Ricardo Costa.
Leitor do Expresso desde o nº 1 – sim, já não sou propriamente um menino -, deixei de o comprar há três anos. E não foi por causa da crise; foi pela falta de qualidade.
Não sei como está agora, porque nunca mais o li. Mas, se não melhorou, e pelo que vejo, piorou, ainda acaba mal.
Desde que o “Expresso” existe terão sido relativamente poucos os números que não comprei e li.
Mas a cada semana que passa esse gesto torna-se cada vez mais difícl; estou a ficar cansado da orientação que o jornal assume longe da diversidade e pluralismo que outrora o caracterizou.
E a dificuldade é quase insuperavel quando penso que o meu dinheiro serve para ajudar a pagar a sujeitos do miseravel calibre do senhor Raposo verdadeiro exemplo do triste nível a que o “Expresso” chegou.
E nem sequer me importarei que acabem todos na mão da “Ongoing” apesar de estar consciente do que isso pode representar.
Não obstante interrogo-me como é que o Dr. Balsemão,que durante dezenas de anos respeitei enquanto figura cívica e homem dos jornais,assiste a tudo isto.