Era domingo e a TVI emitia do Algarve o Jornal das 8, tendo o mar como cenário. Havia vento e frio. Judite, de cabelos presos, “morria de frio”, como ela confessou a Marcelo. Marcelo, de cabelo ao vento, fez o seu “número habitual”. Nenhum dos dois perdeu a compostura, apenas os cabelos de ambos e as mangas do vestido de Judite denunciavam a ventania. 
Nessa noite, alguém a meu lado comentou se não haveria ali por perto um agasalho, qualquer coisa que protegesse Judite…Não sabia esse alguém que uma apresentadora preferiria sempre suportar o frio a alterar o modelo escolhido para aquele dia.
Esta breve (e para alguns talvez fútil) introdução de um post em época de silly season, é o pretexto para responder a questões que levantei aqui, quando em Março de 2011 Judite e José Alberto de Carvalho se mudaram da RTP para a TVI. Interroguei-me nessa altura sobre se seriam “eles a mudar a TVI ou a TVI a mudá-los a eles….”.
As respostas definitivas não podem ainda ser dadas mas existem já elementos importantes para análise. E um deles tem a ver precisamente com a enorme mudança na imagem de Judite de Sousa. Vejam-se os clips a seguir reproduzidos, obtidos aleatoriamente no site da TVI. Eles mostram um investimento da TVI na imagem de Judite de Sousa: vestuário de cores vivas, modelos arrojados, mudanças frequentes no arranjo do cabelo, maquilhagem bem trabalhada, discreta e luminosa dando luz e vivacidade ao rosto.

Televisão é imagem e não vale a pena escamotear a questão: a figura do apresentador de um jornal televisivo é um elemento essencial do seu dispositivo.
A televisão funciona segundo o princípio da interpelação do telespectador, através dos jogos da voz e do olhar. Essa interpelação, juntamente com outros elementos visuais incrustados no écran, constitui-se como
instrução de leitura da imagem, pontuando o fluxo de comunicação e construindo uma relação directa entre o telespectador e o apresentador.
O apresentador é uma espécie de “maestro” cujas qualidades são a simpatia e a espontaneidade, funcionando como alguém “familiar”, “simpático” e “íntimo”.
O modelo é o da conversa familiar, através de uma comunicação individualizada, encarando o telespectador como um indivíduo e não como “audiência” – entidade colectiva e anónima (vem aqui à colacção o “piscar de olho” de José Rodrigues dos Santos).
Quando a apresentação das notícias televisivas é feita por uma mulher é natural (sendo ou não justo e razoável) que a componente estética constitua um motivo de atracção e fixação dos telespectadores.
Os jornalistas da imprensa escrita não reagem positivamente ao “glamour” de muitas das suas colegas apresentadoras da informação televisiva. Mas não há volta a dar-lhe. Os e as jornalistas de televisão são, além de jornalistas, figuras do universo “cor-de-rosa” e mundano. 
Não é por acaso que são eles e elas que os paparazzi procuram na silly season. Vemos nas revistas de “sociedade” fotografias de Judite de Sousa na praia, mas não vemos, por exemplo, fotografias da directora do Público, Bárbara Reis. Lemos nessas revistas entrevistas de José Rodrigues dos Santos mas não do director do Jornal de Negócios, por exemplo. Uns e outros são jornalistas. Mas aos da televisão exige-se-lhes também capacidade de “fisicamente” chegarem a quem os vê e ouve, levando-lhes a actualidade através da voz, do olhar, do gesto…com convicção e segurança, olhando nos olhos quem está deste lado do écran. Apresentar um telejornal é também um acto de representação, em sentido teatral. Não é fácil, ao contrário do que pensam muitos que nunca estiveram desse lado.
(tema a continuar um dia destes…)

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