Faz agora anos, ainda não se falava de crise…
Era a minha segunda viagem a Itália, a primeira tinha sido a Roma, no ano anterior. Desta vez, tinha decidido ir de automóvel, parando onde calhasse, sem hotéis marcados para pernoitar, saboreando a verdadeira cozinha italiana, fora das auto-estradas, para conhecer a Itália “real”. Na altura interessava-me pela arte gótica e renascentista. Queria visitar lugares históricos fora dos circuitos turísticos das agências de viagem. A Itália era o lugar ideal para mergulhar na história da arte através dos seus monumentos, da sua pintura e da sua escultura. Animava-me especialmente o desejo de ir a Ravenna, cidade de arte e de cultura, situada na costa do Adriático, capital do Império Romano do Ocidente no século V e do Império Bizantino na Europa.
Não conhecia ninguém que tivesse ido a Ravenna. Cidade do mosaico, é lá que se encontram os mais antigos mosaicos cristãos. Queria ver também os frescos de Giotto marcos importantes na evolução da pintura italiana, no sentido do volume, do espaço e do gosto pela natureza.
O trajecto escolhido era aliciante: Verona, Vicenza, Pádua, Veneza, Ravenna, depois regressar por Bolonha, Florença, Siena. Foram cerca de 30 dias de viagem. As paragens foram sempre mais demoradas do que o previsto porque havia em cada lugar muita coisa para ver e sentir.
Ravenna ficou para sempre na minha memória. Nunca mais esqueci a bela Piazza del Popolo onde se podia descansar ao fim da tarde e olhar a harmonia da arquitectura circundante, depois um dia de peregrinação ao Mausoléu de Theodorico, à Basílica de Santo Appolinare Nuovo, aos baptistérios, à Igreja de San Vitale, ao Mausoléu de Gala Placidia, enfim, à Ravenna românica, gótica, bizantina e medieval, património mundial da UNESCO.
Não há como a Itália para nos sentirmos europeus porque é sobretudo aí que verdadeiramente temos consciência do imenso património cultural do “Velho Continente”. Quando, mais tarde, conheci os EUA e me deixei encantar por Nova York compreendi melhor o que uma amiga americana me dizia sempre que vinha à Europa. Ela não percebia o que poderia um europeu encontrar de belo nos EUA porque, segundo dizia, “vocês têm tudo na Europa. Nós só temos réplicas”.



É verdade, Jonas,na estrada não somos piores que italianos e franceses….
Só viajei por Itália ao volante, uma vez. E jurei que nunca mais o faria. Costumamos queixar-nos da falta de civismo dos nossos condutores, mas, se comparados com os italianos, são um exemplo de civilidade.
A minha experiência (por auto-estradas e fora delas) teve lugar em 1996. Pode ser que tenham melhorado, entretanto.
Mas, no que me diz respeito, foi a primeira, a única e a última.