É normal que os partidos políticos desejem ganhar eleições e chegar ao poder para poderem então aplicar o seu programa e governarem o país de acordo com o que pensam ser melhor para os cidadãos;
É normal que dentro de cada partido a liderança seja discutida e disputada de forma aberta e de acordo com as regras estatutárias de cada partido.
É normal que os partidos possuam estratégias e se organizem, “contando espingardas” entre militantes e dirigentes locais para conquistarem a liderança;
É normal que dentro de cada partido se formem grupos para influenciarem o voto dos militantes num ou noutro candidato à liderança;
É normal que apoiantes de uns e outros se manifestem publicamente em favor do seu candidato, seja ele o líder em funções ou um putativo candidato à liderança;
Ora, se tudo isto é normal, porque é que de repente o PS se tornou esta semana o bombo da festa de jornalistas, comentadores e governantes?
Por várias razões, entre as quais:
- porque o seu líder, António José Seguro, entrou em contradição respondendo aos jornalistas que o interrogavam sobre a data de marcação do congresso, repetindo 5 vezes (segundo a SIC) a pergunta: “Qual é a pressa”? e, a seguir, marcou uma reunião da Comissão Política com caracter de urgência.
- porque o proto-candidato, António Costa, mantém em suspenso uma “espada” sobre a cabeça do líder, sem dizer se vai ou não disputar-lhe a liderança;
- porque tudo isto acontece após o Governo ter visto uma “vela” ao fundo do túnel que, mesmo fraca, foi suficiente para desestabilizar o PS obrigando-o a repensar a estratégia;
- porque o líder não foi capaz de reagir com fair-play e naturalidade ao questionamento da sua liderança;
- porque o PS não estava preparado para os “coelhos” que Coelho e Gaspar tinham na cartola;
- porque só um PS muito distraído deixaria sem resposta provocações como a de Aguiar Branco de que “é necessário clarificar a “autoridade do secretário-geral” para poder debater a reforma do Estado.”
Pois não estava preparado, pois não. É o resultado de se ter na liderança da oposição uma figura simétrica do PM.
E não vale a pena tentart descortinar tentar imaginar alianças objectivas com o poder naqueles que,embora lamentando, se limitam a constatar a evidencia.
O PS ou está distraído, ou de facto, há elementos dentro do partido que concorrem para o enfraquecimento de António José Seguro. E, assim sendo, não se importam em encontrar aliados improváveis, mesmo em membros do governo. Aposto mais nesta hipótese.