“Jornalista-assistente”: um debate adiado

Sobre o artigo do Público que citei aqui,  o jornal  insere hoje um artigo do seu jornalista  José António Cerejo de resposta à duríssima crítica do advogado José Augusto Rocha. Também a direcção do jornal  se pronuncia sobre o mesmo artigo num Post Scriptum  inserido no editorial, em que afirma: ” Num processo judicial bem diverso deste [o chamado caso Casa Pia], o do caso Freeport, o PÚBLICO envolveu-se da forma que os leitores sabem. Domingo foi publicado neste espaço de opinião um artigo fortemente crítico da actuação do jornal, assinado pelo advogado José Augusto Rocha, tal como é publicado hoje outro, do jornalista José António Cerejo, defendendo posição adversa. A publicação de ambos foi feita no respeito pela liberdade de opinião e de imprensa, o que só nos honra. Quanto ao PÚBLICO, o que nos move é ajudar os leitores a formar opinião da maneira mais completa possível. É o nosso trabalho. Outro, bem distinto, é o da justiça: a ela compete julgar; aos jornais, informar. É o que fizemos e continuaremos a fazer.” 

O texto de resposta de José António Cerejo (link indisponível), intitulado “O insulto fácil de um antifascista encartado”  responde com inusitada violência verbal a José Augusto Rocha. Percebe-se que o jornalista se tenha sentido atingido no seu profissionalismo pela virulenta exposição do advogado contra a figura do “jornalista-assistente” no processo Freeport, por ele assumida. Sendo certo que a polémica faz parte da formação da opinião, e que um português que se preze não foge de uma boa discussão (ou não fossemos descendentes de Eça e de Ramalho), seria contudo uma pena  que o debate se “fulanizasse” quando o que seria importante era que o tema fosse analisado com alguma frieza e argumentos claros das duas partes – jornalistas e juristas – para que os cidadãos pudessem, aí sim, “formar opinião da maneira mais completa possível”, como refere o editorial do jornal. De contrário será mais um debate adiado.

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