Como é diferente o registo jornalístico quando, na televisão, se entrevista um banqueiro e um político!
Com um banqueiro, o registo é soft, cordial, entre o íntimo e o reverencial; há espaço para a pausa reflexiva, a palavra é acolhida como provinda de autoridade inquestionável e emanando de mente profunda, de alguém que pesa o que diz e sabe do que fala.
Com um político, o registo é agressivo, “malhador”, displicente, quase inquisitorial; a palavra é acolhida com vinda de alguém de quem se duvida ou em quem pouco se acredita. O tom é de atropelo sistemático, porque interessa mais a pergunta do que a resposta. Qualquer que esta seja, será sempre contestada.
Pode variar o género do entrevistador e o canal emissor, mas o princípio mantém-se: ser político, em Portugal, é estar permanentemente sob “fogo” quer fale quer esteja calado. Ser banqueiro, economista, jurista (que não juíz ou procurador) é ser escutado, solicitado a esclarecer e a ensinar, a dizer como é e como deve ser. O que disser será aceite, raramente questionado.