Somos pobres, sim, mas não sejamos mesquinhos…

Volto  ao tema que iniciei aqui, baseada num conjunto de artigos publicados recentemente, alguns dos quais  criticando, muito justamente, despesas sumptuárias de instituições públicas em iniciativas cuja utilidade e objectivos  não se vislumbram.

Porém, em alguns dos casos noticiados, parece criticar-se antes a legitimidade de governantes e  instituições públicas para investirem em acções de comunicação, como se a comunicação não fosse, cada vez mais,  uma componente essencial da gestão de uma instituição, seja ela pública ou privada, e como se não fosse habitual e mesmo desejável que presidentes da República, primeiros-ministros,  líderes políticos e  responsáveis de instituições com peso na sociedade desenvolvam iniciativas de comunicação para promoverem a imagem do País e das suas instituições, cá dentro e lá fora.

Vem isto a propósito das questões levantadas neste artigo  replicadas  aqui  e criticadas aqui, sobre o patrocínio da EDP a um curso na universidade de Columbia (“universidade de topo”, diz o articulista), em que um dos docentes convidados é um ex-ministro português, e sobre o facto de o presidente dessa empresa se ter feito acompanhar de jornalistas que cobriram também o discurso do primeiro-ministro…na mesma universidade!

O artigo suscita várias questões, desde logo, saber afinal quem se critica e o que se critica: se os jornalistas, por aceitarem o convite da EDP,  ou a EDP, por convidar jornalistas. SE o primeiro-ministro, porque devia ter convidado “outros”  jornalistas, ou  os jornalistas, por, tendo sido convidados pela EDP, terem noticiado a participação do primeiro-ministro naquela universidade. Se  a  EDP, por patrocinar um curso sobre um tema em que é líder. Se  (novamente) a EDP por esse patrocínio incluir a leccionação de uma cadeira por um docente português. Se (ainda) a EDP, por esse docente ser um ex-ministro.

Veja-se, a título de exemplo (quase humorístico) esta pequena nota do Expresso:

Sejamos claros: todos sabemos  que os jornalistas são convidados pelas mais diversas entidades para cobrirem as suas iniciativas. E que nas visitas oficiais, os chefes de Estado e de Governo (e, cada vez mais, também líderes partidários) integram nas suas comitivas jornalistas, empresários, escritores, deputados, desportistas, artistas, etc., e que isso é do interesse dos próprios, das empresas e do País. E que os jornalistas que acompanham essas visitas cobrem também, e disso dão notícia,  seminários, conferências, etc., desses empresários e de outros grupos que integram as comitivas, e que os próprios chefes de Estado e de Governo participam e discursam nessas iniciativas. Ignorar a importância da comunicação na vida das sociedades é ignorar o mundo em que se vive.

Somos pobres, sim, mas ao menos não sejamos mesquinhos. Quem sabe, o País não esteja mesmo a necessitar de aprofundar a vertente “comunicação de crise”….

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