Uma história obviamente romanceada sobre a auto-regulação

A propósito da temática deste post, e porque a dita temática foi muito glosada na IV.ª Conferência Anual da ERC, a seguinte

HISTÓRIA OBVIAMENTE ROMANCEADA

ou

I LOVE YOU, AUTO-REGULAÇÃO

O suplício de Tântalo

Era uma vez…

Num país e tempo imaginários, perguntou-se aos jornalistas e aos empresários do meio se defendiam a auto-regulação dos média e se estavam dispostos a colaborar num órgão em que conjuntamente trabalhassem, e obtiveram-se resultados excepcionais, ou talvez ainda melhores, com mais de 100% de respostas favoráveis.

As respostas foram, todas, sinceras.

Perguntou-se a uma organização representativa do sector, e…idem aspas.

Indagou-se o que estava a ser feito nesse sentido…e, felizmente, estava sempre tudo a andar, quase quase quase quase lá, só faltava a questão do modelo, peanuts, questões menores, etc. e tal.

Perguntou-se no ano seguinte, e o mesmo. Desta vez é que se estava quase quase quase quase quase quase quase lá, tudo em bom andamento, faltava só afinar umas coisas, umas coisitas, realmente…

Mas, então, o andamento era devagarinho ou parado?

Não, por amor de Deus, credo, abrenúncio, cruzes canhoto, nada disso, houvera só um pequeno, muito pequenito percalço, isto não se fazia assim, só mesmo um percalçozito, nada de mais coisa pouca…

Perguntou-se outra vez 365 dias depois e…adivinharam, nem era preciso dizer. Declarações de amor, mais do que muitas, irredutíveis. I LOVE YOU, AUTO-REGULAÇÃO

E, agora, agora é que se estava mesmo quase quase quase quase quase quase quase quase lá, só faltava uma questãozita de financiamento público aqui, uma revisãozita da Constituição acolá, nada de muito importante, questões de somenos, a sério, mesmo, verdadeiramente…

Mas, não se poderia avançar mesmo sem isso? Não, compreenda, era tudo muito delicado, era preciso cuidado, andar com passos seguros, para “dar” tudo certo, para não cair tudo de sopetão.

Hetero-regulação? A ERC daquele país e tempo imaginários? Não, essa não, compreendia, porque etc. e tal, a liberdade de imprensa e tal e coisa, e devia acabar, porque a auto-regulação estava ali ao virar da esquina, era o que faltava, Santo Deus!

Ali, onde? Qual esquina? E como se virava a dita?, perguntou alguém, já em desespero, exausto, meio suado, olhar esgazeado…

Aquela, está a ver, aquela… aquela, logo ali…tenha calma, alguma paciência, não é? Vai valer a pena, caramba, também não se fazem coisas destas de um dia para o outro, sabia?

Não fazia mal, desta vez é que era, estávamos quase, quase, quase, quase, quase, quase lá…Ia mesmo “dar” tudo certo, ia ver, pressa a mais era má conselheira, acredite, compreenda

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