Uma questão de confiança

CML declaraçãoà imprensa

Não é todos os dias (felizmente) que um presidente de câmara convoca a imprensa para desmentir a manchete de um jornal diário de informação geral e expansão nacional, sobretudo quando esse jornal é um dos poucos ainda considerado como “jornal de referência”.

Também não é todos os dias que um jornal “de referência”  vê desmentida e apelidada de “erro grosseiro” uma manchete  assinada por dois jornalistas e cujo desenvolvimento ocupa página e meia do jornal, incluindo sofisticado infografismo

Também não é todos os dias que  uma declaração à imprensa para desmentir um jornal atrai um conjunto apreciável de jornalistas de outros jornais, incluindo da televisão.

Também não são todas as câmaras municipais que, sem demora, tornam acessível no seu sítio electrónico um video  (quase profissional)  a desmentir um jornal “de referência”.

Também não são todos os jornais que, logo a seguir, na  edição electrónica  esclarecem a situação. através  de uma nota da Direcção.

Acontece que só foi assim porque o jornal é o PÚBLICO, a câmara é a de Lisboa e o seu presidente é António Costa.

Não podíamos não acreditar num jornal “de referência”; mas também não o podíamos numa câmara e num presidente que são, eles também, como se viu pelo interesse que a notícia despertou,  entidades “de referência” .

Veremos, porém, se amanhã o Público nos ajuda a  perceber melhor o que aconteceu. Porque num jornal “de referência” tem de haver uma explicação para uma manchete errada.  

É que, quando se perde a confiança num jornal “de referência” é  grande  a perda  que  se sofre.

 

 

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