Infinito topete

Há dias, referi-me num artigo a Eduardo Cintra Torres e a Manuel Falcão. O sublime par, em perfeita sintonia, e às vezes em sincronia perfeita, tem-se dedicado desde há muito a atacar a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), estando no seu pleno direito; mas quase sempre com fundamento nulo. E tem-se dedicado em segundo lugar – mais o primeiro do que o segundo – a lançar ataques pessoais, ad hominem, sujeitando-se assim a resposta. Assim fiz, em artigo no jornal “Público”.

Como tinha previsto, os dois reagiram no mesmo sentido (outra vez em sintonia), proclamando que não, de todo, valha-nos Deus.

Sobre Manuel Falcão e a sua resposta, confirmei que basta raspar um bocadinho o verniz e o que dali salta é confrangedor, tanto na escrita como no conteúdo. Fiquei apesar de tudo a sabê-lo versado em tipologias penetracionais, e agradeço-lhe a descoberta da figura das “penetrações políticas”, que desconhecia.

Belo nível, fala quem sabe. Ao menos, foi forçado a abrir o jogo, tudo ficando mais claro.

Cintra Torres, esse, joga noutro tabuleiro, ainda mais sombrio, quantas vezes sórdido. Hoje, com desfaçatez infinita, lá vem escrever no “Público” que não insultou ninguém, esquecendo-se, com topete fora do comum, de transcrever parte significativa do que realmente dissera e, nomeadamente, que eu, e mais dois colegas do Conselho Regulador (nominalmente referidos), éramos um “braço armado do Governo”. Deixo de lado as graçolas com os nomes dos destinatários escolhidos, por se tratar de método tão boçal que fala por si e define o seu autor.

Neste caso, e tendo por certo que é grave insulto pessoal imputar a outrem desonestidade no exercício de funções em que a independência é um pressuposto fundamental, chego a uma de duas conclusões. Ou Cintra Torres está tão habituado à prática da venalidade que já não tem sequer consciência da gravidade da acusação (1.ª hipótese); ou Cintra Torres é tão embotado que deverei tomá-lo como inimputável (2.ª hipótese). Admitindo que as duas hipóteses podem ter aplicação cumulativa neste caso concreto, que venha o Diabo e escolha, porque me falta paciência para o exercício.

Muito interessante, por outro lado, foi verificar que cada um (Manuel Falcão e Cintra Torres) achou mal que o jornal “Público” me tivesse publicado o texto que tanto os enxofrou. Manuel Falcão, despeitado, diz que não tem importância, “com a pouca difusão que o Público hoje em dia tem”, e mais afirma que retorqui onde me dão “guarida”. Cintra Torres, por seu lado, deixa a crítica de que o Público “acolheu” artigo que não deveria ter acolhido, por falta de mérito. Notável e reveladora, esta liberdade de expressão construída e apenas admitida para proveito exclusivo…

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