Alguma coisa falhou na estratégia de comunicação….

Alertada por  Ana Lourenço, da SIC Notícias, esta noite no decorrer da entrevista ao ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira,   fui ao Facebook ler o comentário do Presidente Cavaco Silva ao seu próprio discurso de posse, onde ele escreve o seguinte:
Cavaco Silva durante a tomada de posse
  • Aníbal Cavaco Silva 

    Agradeço calorosamente a todos os Portugueses que me enviaram as suas felicitações pela minha tomada de posse, que ontem teve lugar.
    No discurso que proferi nessa ocasião, fui fiel ao compromisso de falar verdade aos Portugueses. Alguns pretenderam realizar uma interpretação abusiva ou distorcida das minhas palavras, pelo que sugiro a todos os cidadãos de boa-fé que façam uma leitura integral do discurso. O texto encontra-se disponível na página oficial na Internet da Presidência da República.
    http://www.presidencia.pt/?idc=655&idi=51497

Esta declaração  é surpreendente e mostra que “Belém”  precisa urgentemente de rever a estratégia de comunicação do Presidente. De facto, o Presidente não pode fazer um discurso com a carga política que imprimiu ao seu discurso de posse e no dia seguinte declarar que o mesmo  foi abusivamente interpretado e distorcido e dizer  aos cidadãos que vão ao site da Presidência lê-lo na íntegra. Porque um discurso presidencial, para mais um discurso de posse, tem de ser entendido por todos na primeira vez em que é dito, sem necessitar de “chaves” de leitura.

Os gabinetes de comunicação e os assessores de imprensa servem (também) para antecipar as reacções aos actos e aos discursos daqueles que assessoram. Não é crível que em Belém as consequências do discurso do Presidente não tenham sido previstas e antecipadas. Uma boa assessoria podia até antecipar, com pequena margem de erro, os leads e as aberturas das notícias sobre o discurso.

Acontece que quando pouco  antes do discurso do Presidente o  seu mandatário nacional, médico e intelectual ilustríssimo, veio antecipar  aos jornalistas os próximos “momentos” em que o Presidente iria fazer discursos importantes (o sentido da sua declaração foi mais ou menos  este) identificando, para além do dia da posse,  a “abertura do ano judicial” e “o 25 de Abril”,  percebeu-se  que o aconselhamento  do Presidente em matéria de comunicação não está propriamente entregue a especialistas na área…

É que, perante discurso tão expressivo qualquer estudante de comunicação podia até prever as manchetes dos jornais do dia seguinte. E podia também antecipar que perante semelhante “terramoto” verbal o Primeiro Ministro tentaria, como fez, marcar primeiro que outros o sentido da sua interpretação, controlar os danos e “dar o tom” aos deputados do seu partido para os comentários que se seguiriam.

Chama-se a isso profissionalismo e “news management” (em Portugal parece que é defeito). Esse profissionalismo faltou aos estrategas de comunicação do Presidente no dia da sua posse.

Já, aliás, se tinha notado durante a campanha eleitoral….

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Uma resposta a Alguma coisa falhou na estratégia de comunicação….

  1. A comunicação institucional e política anda arredada desde país há muito tempo

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