Verdades, mentiras e mentirinhas…

A questão da verdade e da mentira quando se trata do campo  político tem destas coisas: até agora era o PSD a acusar José Sócrates e o Governo de “mentirem” ou “faltarem à verdade” sobre as mais variadas matérias. Desde o chumbo do PEC IV e o pedido de demissão do Primeiro Ministro as coisas inverteram-se e é agora o PS a acusar Passos Coelho de ser ele a “mentir” ( “de ter escondido a ideia de aumentar impostos”.)

No caso de José Sócrates a acusação fez o seu caminho em jornais e televisões (a rádio é quase sempre mais sóbria no ataque político pessoal) e ficou-lhe “colada” indelevelmente.

No caso de Passos Coelho o “estado de graça” parece ter passado depressa a avaliar pelos comentários às suas últimas intervenções (declarações sobre o IVA,  recuo na questão da  auditoria às contas públicas, pedir ou não pedir a intervenção do FMI, revogação da avaliação dos professores), não contando já com o “raspanete” da Sra. Merkel e dos parceiros europeus que segundo os comentadores do Eixo do Mal deste sábado, na SICNotícias,  o levaram  a “baixar as orelhas”.

Temos, pois, que em Portugal os governantes e candidatos a governantes se vêem confrontados permanentemente com a questão da verdade e da mentira. Será isso um fenómeno apenas português? Não é!

A “verdade” em política não é a “verdade” do tribunal nem  a “verdade” jornalística. Em política, o que é hoje verdade pode não o ser amanhã. No tribunal, a verdade é a verdade material, no  jornalismo, a “verdade”  é a verdade a que  o jornalista chegou com os dados que recolheu e apresenta no momento  em que  publica.

Os teóricos da comunicação política estabelecem uma escala decrescente para a verdade e a mentira, que definem assim:

– Alguma fuga à verdade/meia-verdade:  situação em que não é possível dizer tudo, entendida como justificável em nome do  interesse público;

– mentira honesta: é uma mentira no interesse público. Relaciona-se com casos que envolvem segurança nacional, assuntos de natureza económica como desvalorização da moeda, decisões monetárias que possam levar a concentração de riqueza (os americanos exemplificam esta tipologia com a mentira da administração Carter  para proteger uma operação de resgate no Irão);

– mentira involuntária: é produzida sem intenção de enganar ou desviar a atenção do interlocutor;

– grande mentira: é a mentira deliberada e consistentemente arquitectada sobre uma matéria relevante. É o grau mais grave da mentira, a única a ser vista como ameaça ao direito à informação.

Um exercício interessante (académico, diga-se) é ler e ouvir as notícias e tentar  uma catalogação das nossas “mentiras” políticas, jornalísticas e  judiciais…

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Esta entrada foi publicada em Comunicação e Política, Sociedade. ligação permanente.

3 respostas a Verdades, mentiras e mentirinhas…

  1. Pingback: A “verdade jornalística” existe? | VAI E VEM

  2. Pingback: “Números às pinguinhas” | VAI E VEM

  3. do Joaquim Mota Veiga
    Sabem porque é que o Sócrates se demitiu? Porque o Bento XVI mandou-lhe uma mensagem a dizer: “filho, não PEC’s mais!”…

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