
Paulo Portas chamou-lhes “bebedeira“. Os americanos chamam-lhes “corridas de cavalos” (horse races). Refiro-me ao tratamento jornalístico das sondagens e à sua centralidade como tema da campanha eleitoral.
Desde que os diversos órgãos de comunicação social começaram a dispôr de sondagens diárias e a publicar os resultados das suas e os da concorrência, os repórteres na estrada e os seus directores não têm mãos a medir. Por um lado, têm que as noticiar; por outro, têm que pedir aos partidos que “reajam” aos resultados; por outro, ainda, têm que convidar comentadores para as analisarem.
A juntar a esta overdose, há ainda que contar com as redes sociais onde os resultados da “sondagem do dia” são quase quase sempre dados em primeiro lugar e logo imediatamente comentados pelos internautas.
Há, assim, uma corrida ao spin, isto é, os partidários dos “vencedores” e dos “vencidos” em cada sondagem tentam influenciar a interpretação dos resultados, valorizando aquelas que lhes são favoráveis e desvalorizando as que lhes são desfavoráveis. O ruído é quase insuportável, como dizia um ouvinte de um fórum radiofónico.
Nas democracias europeias e americana as sondagens introduziram há muito uma mudança fundamental na cobertura jornalística de campanhas, sendo vistas como responsáveis pelo facto de a discussão da substância dos programas dos partidos ser substituída por notícias que enfatizam quem vai à frente e atrás na “corrida” eleitoral. As estratégias e as tácticas dos candidatos passam, assim, a orientar-se para o objectivo de conseguir uma boa posição nas sondagens.
As sondagens são importantes elementos de informação para os partidos concorrentes. Para os cidadãos eleitores são interessantes de seguir e trazem paixão e ansiedade à campanha. Para os jornalistas são sobretudo excelente material informativo e talvez façam vender mais jornais e conquistem telespectadores e ouvintes. Se conseguirem interessar mais pessoas pela política, isso será muito positivo. Mas se forem vistas apenas como corridas de cavalos, será muito prejudicial à política e ao jornalismo.
Clear, intmroafive, simple. Could I send you some e-hugs?