Os novos “entertainers”

Portugal deve ser dos poucos países ditos “civilizados” em que figuras do meio empresarial e dos negócios vão às televisões insultar governantes e políticos em geral. Rara é a semana em que não temos alguns deles a dizer umas larachas para jornalista ouvir e repetir. Para as televisões funcionam como  uma espécie de novos entertainers.

É claro que os jornalistas deliram com esses figurões porque lhes rendem audiências, dado que depois o que eles dizem é comentado, debatido, rebatido, etc., etc.. Os jornalistas “curvam-se” perante eles porque, ao contrário  dos políticos,  se apresentam como independentes, impolutos, gente que só pensa em trabalhar e criar emprego, em suma,  gente cuja preocupação na vida é contribuir para a felicidade de todos nós. 

Foto Expresso

Há sempre alguma destas importantes pesonagens disponível para ir à televisão “dar gás” a quem lhe põe um microfone e uma câmara à frente. Desta vez foi Belmiro de Azevedo, o senhor da Sonae. Deu uma entrevista à TVI24 da qual o Expresso extraíu  frases de grande alcance e profundidade, como as seguintes:

“Não há exemplo de alguém ter feito tanta coisa tão mal feita em tão pouco tempo. José Sócrates vai para o Guinness”. “[Sócrates era o] chefe de um grupo de empregados”.  “Só havia um ministro: José Sócrates. Até o Teixeira dos Santos ultrapassou e ignorou”.  “O PS já não é um partido sequer, é uma máquina, mas já esgotou a máquina, não tem gasolina, veio tudo para baixo”. 

O Expresso destacou entre os comentários dos leitores a esta notícia, o seguinte:

Toni 2 (seguir utilizador), 7 pontos (Bem Escrito), 12:44 | Terça feira, 7
O merceeiro azedo nunca vai conseguir digerir a OPA da PT. Se por acaso Sócrates lhe tivesse facilitado esse brinquedo não faltariam elogios, pois era o que acontecia até esse momento. Ainda recordo a implosão das torres da Torralta em Tróia com convite a Sócrates e o espetáculo televisivo. Outros tempos em que os interesses traziam amor. Provavelmente já se está a posicionar para as privatizações que aí vêm, dando graxa ao novo governo. Eles comem tudo e não deixam nada. Já agora o que nós precisamos é de empresas para produzir e exportar, não de empresas que têm de importar para consumir. São essas que nos deixam pobres.

Acrescente-se que  não há muito tempo o mesmo douto empresário  dizia que “Cavaco é um ditador” e achava  “uma felicidade” “não haver  maiorias absolutas”.

Em anteriores posts  (aquiaqui, aqui e aqui) dei nota de  intervenções de idêntico alcance e elevação proferidas por  protagonistas de áreas afins. Em português corrente chama-se a esse tipo de discurso “alarvidades” e aos seus autores “alarves”.

Esta entrada foi publicada em Política, Sociedade, Televisão. ligação permanente.

Uma resposta a Os novos “entertainers”

  1. aires diz:

    Mais uma vez obrigado sua lucidez e sentido critico do acritico colectivo porque passamos…
    abraço

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