Para um discurso alternativo sobre Portugal

Em 50 anos as condições de vida da população portuguesa alteraram-se profundamente. O rendimento disponível das famílias cresceu de forma notória, sobretudo desde os finais dos anos 80. Esse rendimento é superior ao dos salários, havendo cada vez mais pessoas a recorrer ao crédito, sobretudo para a aquisição de habitação própria. Por outro lado as tradicionais práticas de poupança perderam importância: o valor das poupanças das famílias pouco se altera, não acompanhando o crescimento do rendimento disponível.

Mas os portugueses foram melhorando o nível de vida do seu quotidiano com a aquisição de bens e equipamentos de diversa natureza: a maior parte das casas portuguesas, para além de terem melhorado as suas condições básicas, ao nível das instalações, passaram a estar equipadas com todo o tipo de objectos e tecnologias: os aparelhos de TV e de áudio, os micro-ondas e as máquinas de lavar e também os computadores.

O desemprego tem vivido em ciclos estando actualmente em valores recorde, superiores aos sentidos na década de 80. (…)  [O] valor [nominal] do salário mínimo nacional cresceu [mas], quando introduzimos uma variável de correcção monetária, constatamos que o seu valor actual é inferior ao de 1974.

Apesar de muitas vezes os portugueses se queixarem dos seus serviços de  saúde, a realidade dos números demonstra que nos últimos cinquenta anos se assistiu a uma melhoria notável nestes serviços prestados à população. O Estado tem vindo a investir cada vez mais recursos financeiros no sector da saúde, atingindo os cerca de 6% doPIB. Os portugueses têm cada vez mais profissionais de saúde a prestarem cuidados, os serviços prestados têm vindo a aumentar progressivamente e as estatísticas demonstram uma  melhoria desses cuidados e dos indicadores do sector  da saúde.

(…) A taxa de mortalidade infantil baixou significativamente dos 88 (1961) para os 3,6, em cada mil (2009).

Incipiente nos anos 60, a Segurança Social constitui, ao  longo das últimas décadas, um sector de crescente despesa do Estado, que tem vindo a despender cada vez mais nos apoios, subsídios e pensões prestadas às famílias, às crianças, aos idosos e aos incapacitados.

(…) A educação foi um dos sectores que mais transformações sentiu nos últimos 50 anos. O Estado tem vindo a investir cada vez mais recursos no sector da Educação, ultrapassando-se os 5% do PIB, no investimento realizado: mais Escolas, novas Universidades e outros equipamentos, mais profissionais a trabalhar no sector.

(…) [N]o sector universitário os números são reveladores: nos últimos anos mais de 400 mil jovens/ano estão matriculados em cursos superiores. Um sinal de valorização dos recursos humanos, apesar de um número significativo de jovens licenciados enfrentarem grandes dificuldades na obtenção de emprego. Nos últimos anos tem-se verificado um crescente investimento neste sector, com os consequentes resultados: um maior número de investigadores nos mais diversos campos científicos, a quantidade de publicações científicas tem vindo a crescer e muitos centros de investigação nacionais têm vindo a ganhar uma notoriedade significativa.

Estes dados  pertencem a um trabalho intitulado “Portugal meio século de mudança: 1960-2010” premiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos dirigida por António Barreto e insere-se  na iniciativa Prémios PORDATA, em que participaram quase dois mil alunos de 65 escolas diferentes. É da autoria de Carla Silva, Clara Martins e Ricardo Costa, alunos do 12.º ano da Escola Secundária de Amares.

São dados que juntamente com muitos outros estão disponíveis para quem os queira consultar e utilizar. Mas ninguém os cita porque eles contrariam o discurso do miserabilismo militante. Nem mesmo os responsáveis ao mais alto nível da PORDATA – Soares dos Santos e António Barreto – parecem interessados em citar os trabalhos que premeiam.

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