Jornalismo, poder político e poder económico

Num momento em que a relação entre o jornalismo,  a política e os interesses económicos voltam a ser tema de discussão pública mercê, por um lado, dos acontecimentos que rodearam o “caso  Bernardo Bairrão” e alegadas pressões sobre o primeiro-ministro e o Governo para que aquele não integrasse o Governo, e, por outro, a não concretização do anunciado programa de Manuela Moura Guedes,  na SIC, é oportuno recuperar algumas reflexões  sobre o jornalismo e os poderes político e económico. Em teoria, o poder político dispõe de vários instrumentos que lhe permitem  interferir nos média. Eis os principais: a) determinação do quadro legal do sector; b) determinação das formas de financiamento do serviço público audiovisual; c)  nomeação da respectiva administração; d) concessão de regimes especiais de apoio aos órgãos de comunicação soacial; e) favorecimento de negócios dos grupos de comunicação social.

Por seu turno, quanto ao poder económico, a tese mais conhecida é a de que os interesses económicos dos grupos detentores dos média se sobrepõem ao interesse público. O peso da publicidade na estrutura económica e financeira dos órgãos de comunicação social é, nessa perspectiva, um dos indicadores mais significativos para avaliação da independência dos órgãos de comunicação social face ao poder económico, uma vez que historicamente são os anunciantes que sustentam a grande fatia dos custos das empresas de comunicação social.

Outras formas de interferência do poder económico podem traduzir-se:

f) na nomeação de directores da confiança dos proprietários e, através destes, da cadeia hierárquica;

g) no controle da admissão de jornalistas para assegurar a orientação definida e a escolha de colunistas e outros colaboradores;

h) na definição da linha editorial segundo interesses próprios que podem ser de natureza política ou ideológica que se reflectem em primeiras páginas, títulos, agendas, etc.;

i) na redução de despesas à custa da qualidade da informação;

j) na redução do espaço noticioso e no alargamento do espaço publicitário;

l) na redução do pessoal; m) no encerramento de delegações.

Porém, quer quanto ao poder político, quer quanto ao poder económico coloca-se a questão de saber se têm capacidade real e determinante para interferir na independência dos média.

(continua)

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