Mistura explosiva: espiões, política, negócios, vingança…

“O gabinete do primeiro-ministro reafirmou que o Governo “não ordenou por via alguma” qualquer investigação a Bernardo Bairrão, refutando as notícias do Expresso”.

“O gabinete do primeiro-ministro “lamenta profundamente não só a insistência do jornal Expresso” em afirmações que considerou “destituídas de qualquer fundamento” e “repudia também a associação que se pretende fazer” entre elas e a existência de `fugas de informação´ nos Serviços de Informação da República”.

Era a sequência esperada e  possível da manchete deste sábado, do Expresso. Lendo as linhas e as entrelinhas das páginas que o jornal dedica ao “caso Bairrão”, é toda uma teia de mistérios onde não faltam espiões,  interesses, televisão e política.  É demasiado para um governo ainda tão jovem e cujas “bandeiras” parecem cair a cada dia que passa.

Marcelo Rebelo de Sousa sabia, afinal, do que falava quando vaticinou que o “caso” Bairrão teria desenvolvimentos e Pacheco Pereira não se surpreende com as “nomeações para os gabinetes governamentais e para cargos chave na economia e administração do Estado“.

Os desmentidos do Governo não parecem conseguir estancar a perigosa espiral de informação e contra-informação em torno do “caso Bairrão”. A palavra “mentira” voltou ao léxico nacional e não há assessores que cheguem para contornar as notícias,  análises, comentários e o que se seguirá, a avaliar por conclusões como a de Nuno Saraiva, no DN:  “neste caso, considerando que alguém mente, não sabendo nós em que parte da nebulosa história, há mais do que matéria para uma comissão de inquérito parlamentar.

Sabe-se ainda pouco sobre este “caso”, desde logo, sobre o seu enquadramento –  trata-se de um caso de polícia (espiões que violam a lei); ou será de política e negócios  (corrida à privatização da RTP); ou de vingança pessoal (jornalista contra o seu antigo administrador); ou de outra coisa qualquer?

Talvez os seus verdadeiros contornos nunca se venham  a conhecer completamente, como aconteceu noutros casos. Basta que o fluxo das notícias seja desviado para  outros temas igualmente “atraentes”.

Bem vistas as coisas, o “povo” tem mais com que se preocupar do que em saber  o que os espiões  andam a fazer com os dados das suas “espionagens”. Os transportes aumentam, o subsídio de Natal diminui….  

Ao pé disso, quem se  interessa por conhecer onde está a  “verdade”?



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