Que é feito dos nossos “sábios”?

“Quem é sábio procura aprender, mas os tolos estão satisfeitos com a sua própria ignorância”

Salomão

Salomão

Durante meses a fio ouvimos economistas, empresários e especialistas  dos mais notáveis e mediáticos, como Campos e Cunha, João Duque, Cantiga Esteves, Medina Carreira, João Salgueiro,  António Barreto, Soares dos Santos, entre outros, atribuírem toda a responsabilidade da crise, do desemprego, da queda do rating da República, dos bancos e das empresas, da subida dos juros da dívida…  a José Sócrates e ao seu governo, acusados de incompetência, mentiras, autismo e defeitos semelhantes.  

O diagnóstico destes sábios era o de que “vivemos acima das nossas possibilidades”.

Tão calamitoso diagnóstico, além de nos encher de medo e de amortecer a nossa capacidade de reacção, só podia dar no que deu: o novo governo inspirado em grande parte nestes sábios ilustres e reputados, encarregou um economista “puro”  e de “cabeça fria”, bom conhecedor dos meandros da troika, implacável e “surdo” aos argumentos não economicistas, de tratar das nossas finanças e cortar a eito. O ministro das Finanças, é dele que se trata, entrou, assim,  “a matar”: um imposto extraordinário que corta mais de 50% no  subsídio de Natal, diminuição do subsídio de desemprego, eliminação de abono de família para muitos portugueses, aumento do preço dos medicamentos, fim ou diminuição dos apoios na saúde e na educação, aumentos brutais nos transportes… por aí adiante.

Com os ânimos a começarem a azedar surgiu então pela boca de um ministro mais “político”, por sinal do CDS, o anúncio de um vasto programa (logo dito “assistencialista”) para remediar um pouco as consequências do programa “economicista” do seu colega “menos político”.

Embora  não se conheçam os detalhes nem o calendário de aplicação desse programa, sabe-se  que vai haver refeições para os mais pobres, que os  casais com filhos em que ambos os elementos estejam desempregados vão ter mais 10% de subsídio, que o rendimento social de inserção vai ser uma espécie de pagamento por um trabalho que os beneficiários vão ter de fazer sem que isso signifique que tenham emprego nem contrato, isto é, continuarão a ser desempregados mas com trabalho. Os medicamentos fora do circuito comercial com validade de 6 meses vão ser gratuitos e haverá uma tarifa social  para os transportes, bem como rendas de casa a 300 euros para a classe média.

E enquanto lá fora a regulação financeira tende a apertar por cá  alivia-se a “regulação alimentar”, tornando a ASAE  menos exigente, e  fecham-se os olhos a “burocracias” facilitando a “acomodação de mais crianças e mais idosos em creches e lares, embora o espaço continue o mesmo.

Ao mesmo tempo, aqui perto (Espanha e Itália) e um pouco mais longe (nos EUA) a situação é quase catastrófica. Obama, Zapatero, Berlusconi, não falando já nos dirigentes da UE, BE, FMI, não conseguem fazer melhor que Sócrates. Juros da dívida a subirem, rating a descer, austeridade e mais austeridade, Obama treme mas aguenta-se e manda investigar  quem lhe baixou o rating, Barroso fala mas o governo alemão manda-o calar, o Banco Europeu põe tudo num caos, depois emenda, enfim… ninguém se entende.

Entretanto, os nossos “sábios”, que antes peroravam em tudo quanto é média,  deixaram de fazer análises, diagnósticos e prognósticos. Emudeceram ou  escrevem sobre “temas de Verão”.

Mas eis que hoje o Público “desencantou”  uma voz alternativa – a do economista João Rodrigues – que em entrevista disse, entre outras coisas, o seguinte:

“(…) muitos economistas
andam a fazer… andaram a fazer
propaganda. Havia uma obsessão
em colocar toda a responsabilidade
no contexto nacional porque
isso servia uma agenda político-ideológica.
E servia a imposição
de austeridade. Agora, o Governo
mudou e apostou tudo na
intensificação da austeridade. E não
há resultados, porque as políticas
foram desenhadas a pensar nos
mercados. E a zona euro não é uma
construção robusta.”

e disse também que,

“Portugal tem
das mais baixas taxas de
incumprimento de crédito da
Europa. As famílias endividadas
andam na ordem dos 40 por
cento, menos do que se pensa;
e finalmente, o aumento no
incumprimento é resultado da
perda de rendimento das famílias,
devido à situação de crise e do
aumento do desemprego.”

Ao ler estas e outras afirmações, lembrei-me da frase que ouvi há dias a um desconhecido, na pastelaria onde vou amiúde comer um pastel de nata:

“A diferença entre os que estão agora no governo e os que estavam antes é  que os outros aumentaram a dívida para dar aos pobres e estes endividam os pobres para pagar a dívida dos ricos.”

Quase tão demagógico como os “nossos sábios” mas, ainda assim, expressivo….

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3 respostas a Que é feito dos nossos “sábios”?

  1. Que “azeda”, Maria Ana!….quem é que não aceita…?

  2. maria ana diz:

    Esta srª é mto azeda e … tola. Não ouviu frase nenhuma. Está a inventar.
    Não consegue aceitar os resultados de 5 de Junho? A democracia para esta srª não passa perto.
    AH! O pastel de nata? só o de Belém, é delicioso, mas engorda.Cuidado.

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