Um país de cunhas e de escutas

notícia do Expresso sobre a devassa das chamadas telefónicas do jornalista Nuno Simas, alegadamente por parte de um espião do SIEDS, na sequência das anteriores noticiadas pelo mesmo jornal, traz  um pouco mais de luz aos escuros meandros das secretas portuguesas.

Muitos reclamam inquéritos e averiguações que devem ser feitos e certamente o serão, com resultados daqui por muitos meses, na melhor das hipóteses. E já será muita sorte se se chegarem a conhecer os resultados porque, a crer nas notícias, nem o Parlamento  terá acesso ao relatório do inquérito interno dos serviços de informação sobre as alegadas fugas de dados para a Ongoing. Isto é, se nem os deputados podem saber o que aconteceu como poderão sabê-lo os cidadãos comuns? E, no entanto,  o “filme” dos acontecimentos relatados é quase aterrador, como se vê:

O chefe das secretas passa informações para uma empresa para a qual  iria trabalhar imediatamente depois de deixar, a seu pedido, a chefia das secretas;

– um jornalista que escreve sobre as secretas é investigado e a sua lista de chamadas telefónicas é objecto de devassa por parte dessas mesmas secretas;

– a operadora telefónica do jornalista investigado pertence ao mesmo  grupo  do jornal onde esse jornalista  escreveu as peças sobre as secretas;

– a mesma operadora telefónica já em tempos tivera um caso com fuga de e-mails dentro do jornal do grupo que o ex-director considera não ter sido explicado

São muitas coisas e todas muito más. E não são apenas do foro judicial. 

Já sabíamos que somos um país onde a “cunha” é uma instituição e onde as “escutas” são uma “arma” mais para destruir pessoas do que para investigar crimes.

Precisamos de saber em que tipo de patologia se inserem todos estes acontecimentos a que vimos assistindo.

Precisamos de saber quem são as pessoas que estão à frente dos serviços do Estado (e não apenas das secretas). Que ética as norteia, que interesses as movem, que teias movimentam, quem influenciam e  quem  por elas é influenciado.


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