A dupla devassa dos registos telefónicos de Nuno Simas

A revista Sábado volta esta quinta feira  à polémica despoletada pela publicação, na sua edição de 1 de Setembro, do nome de um actual ministro identificado nos registos telefónicos do jornalista Nuno Simas devassados pelo SIED, matéria que foi publicada em primeira mão pelo semanário Expresso.

Sábado, 1 a 7 de Setembro de 2011

Na edição desta quinta feira Sábado vem contrariar o Público que, por seu turno, a criticara pela publicação do nome do ministro. O Público escrevera que a Sábado violou, de forma inconsequente, [o] dever de reserva da fonte [e que] [n]ão é possível, nem aceitável, que tenha havido jornalistas que não compreenderam isto, como aconteceu com a Sábado.”

A Sábado veio agora responder ao Público, afirmando que o ministro cujo nome surge na lista violada, contactado pela Sábado, falou abertamente dos seus contactos com Nuno Simas, não tendo pedido nunca que eles se mantivessem confidenciais (…) e enumerou à Sábado a lista completa  dos dferentes jornalistas com os quais costuma falar. A Sábado defende que a divulgação do nome do ministro“[n]ão entra no campo sagrado da protecção da confidencialidade das fontes”, perguntando, “qual o sentido de proteger uma fonte que não pede protecção (…)” e acrescenta que saber que os telefonemas do na altura número dois do maior partido da oposição e mais que provável número dois do futuro governo foram vigiadas de forma indirecta pelos serviços secretos é uma novidade, é relevante e é muito importante”.

Esta troca de acusações tem o efeito perverso  de subalternizar o essencial da questão, isto é, que os registos dos contactos telefónicos de um jornalista, estabelecidos no exercício da suas  funções, foram ilegalmente acedidos pelos serviços secretos e esse facto só foi conhecido porque o Expresso o divulgou, protegendo todavia os nomes das pessoas a quem pertencem os registos.

A revista Sábado defende a importância da publicação do nome do actual ministro, na altura “número dois” no PSD . Contudo, não se conhecendo o conteúdo das conversas  torna-se irrelevante saber que o jornalista Nuno Simas contactou 14 vezes telefónicamente esse ministro, uma vez que contactar ministros e políticos é trabalho de rotina para um jornalista da área política. A não ser que se pretendam extrair ilacções do facto de se tratar daquele ministro, naquelas datas.

Ora, a divulgação dos nomes das pessoas constantes dos registos  telefónicos de Nuno Simas representa uma dupla devassa, para mais praticada por jornalistas.

Mas há outra perplexidade em todo este processo. E essa deriva da circunstância de ser o próprio ministro a “enumerar à Sábado a lista completa dos diferentes jornalistas com os quais costuma falar”.

De devassa em devassa é conveniente não esquecer o essencial: saber quem e com que objectivos violou os registos telefónicos de Nuno Simas.

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