Uma das piores coisas que pode suceder a uma instituição, seja ela pública ou privada, é os seus responsáveis, directos ou indirectos, virem a público com declarações “incendiárias” cheias de subentendidos e reticências sobre o futuro da instituição e o destino dos seus trabalhadores.
Também as declarações do presidente da empresa sobre corte nos salários e “pressupostos políticos da reestruturação”, a propósito da entrega ao governo do plano de reestruturação da empresa, são pouco encorajadoras para quem diariamente dá o melhor de si para manter uma boa imagem da empresa e do serviço público que presta.
É por isso compreensível e mesmo louvável nos tempos que correm, pelo que significa de “coragem”, ver os representantes dos trabalhadores virem a público defender o serviço público perante declarações bombásticas e explicarem aos responsáveis políticos coisas como a necessidade de conservação dos arquivos da RTP, verdadeiro património nacional, ou “o único canal de notícias internacionais a transmitir em português no mundo”, contribuindo “para a influência portuguesa no mundo transmitindo notícias sobre Portugal em nove línguas”.
A RTP é, assim, voluntaria ou involuntariamente, erigida em bode expiatório de estratégias políticas e comerciais de entidades públicas e privadas que se vão posicionando no terreno à espera do momento em que se chegarão à frente para lhe “comerem a carne e deixarem os ossos”.
Não é coisa bonita de ver nem de ouvir.