O editorial do director do Sol, publicado na edição desta sexta-feira, é um verdadeiro “tratado”. Desde logo, tem o mérito de revelar um certo sub-mundo que muitos conhecem mas de que poucos falam. O arquitecto-jornalista já escreveu alguns livros nos quais dá nota das estórias de que são feitas em muitos casos as relações entre jornalistas (geralmente com posições de relevo) e aqueles que nos governam ou que dirigem instituições públicas e privadas com poder na sociedade.
Desta vez, temos no seu editorial um retrato-tipo do espião português, um-misto-de-saloio-meio-deslumbrado-e-ignorante-que-se-entretém-a-ler-jornais- e-depois-se-gaba-disso-por-não-ter-dinheiro (ou-não-saber) investigar-a-sério.
Em suma, escreve o director do Sol:
– as secretas portuguesas são “serviços de informação de trazer por casa“
– “em certa época”, “um director do SIS” confessou que “a grande tarefa dos agentes era recolherem informação nos jornais“, entre os quais “o jornal de que o arquitecto era director (leia-se o Expresso);
– «[é] compreensível que um serviço de “espionagem” que suspeita estar a ser “espiado” queira identificar o “espião” infiltrado»;
– “a lista de telefonemas [do jornalista Nuno Simas] era um segredo do Polichinelo, pois está ao alcance de dezenas de pessoas”;
– “quer nas operadoras telefónicas quer nas próprias empresas há muita gente a ter acesso às listas de chamadas dos jornalistas“;
– “este caso de espiões e e espionagem é uma história de opereta“;
– ” a guerra de contornos parricidas” [entre Balsemão/Impresa e Nuno Vasconcelos/Ongoing], sim, é interessante“.
Palavras, para quê?
Assim revelada, fica mais clara a promiscuidade e a indigência de certos actores que não deviam estar nos lugares em que estão.