“Com que cara vou chegar ao pé dos alunos a quem já pedi que estejam presentes e disse que iam receber 500 euros? Quando se dá, dá, não se volta a tirar” ,lamentava-se ontem Adalmiro Fonseca, da Associação Nacional de Directores de Escolas Públicas, citado pelo Público. E não é para menos.
“Isto não se faz” nesta altura do ano, a apenas dois dias da cerimónia que as escolas já programaram para distinguir os melhores alunos, afirmou, por seu turno, Mário Nogueira, presidente da Fenprof.
Os protestos sucedem-se, a ponto de a Ordem dos Médicos vir apelar à Sociedade Civil “para que se mobilize e colabore no reconhecimento do mérito dos jovens estudantes”.
A notícia de que os premiados afinal não receberiam os 500 euros é quase imoral. E é-o mais ainda depois de se ler a displicência e insensibilidade com que o ministro afirma: “Já decidimos isso há bastante tempo, houve qualquer problema de comunicação”.
Deve, sim, haver uma razão qualquer, certamente muito forte, que o ministro não quis divulgar, para suspender a atribuição dos 500 euros aos melhores estudantes do secundário a pretexto de esse dinheiro ser canalizado para aquisição de materiais e projectos de estabelecimentos de ensino. Mas não é de certeza um problema de comunicação. É que a decisão é tão insólita, injusta (muitos dos premiados são alunos carenciados) sem qualquer lógica, além de profundamente deseducativa, que não se encontra para ela explicação plausível.
Esta tarde, no Parlamento, o ministro referiu-se a “distribuir dinheiro” (aos jovens premiados) como se isso fosse uma coisa quase desprezível. Vendo bem, até se compreende, fazendo o ministro parte de um governo que até agora se empenhou sobretudo em “tirar dinheiro” aos portugueses.
Mas lá diz o povo: “quem dá e tira vai para o inferno”.